Hoje faço-me silêncio.
Excepcionalmente hoje,
que me estanquem nos lábios
as correntes das palavras
que não digo nem escuto.
Sequer o mar longínquo
me segreda murmúrios
de terno aconchego.
tudo está calado, como se o vazio
contivesse o soído na noite.
o sol brilha, no entanto
e desfere profusamente
correntes de oiro descoberto,
mas de tão banal e gratuito
passa desapercebido.
os homens decidiram
envenenar os rios de mercúrio
revirando nas mãos combalidas
as vísceras da terra descarnada
buscando o brilho na poeira
com que revestem a vaidade alheia,
a levantar a cabeça e aspirar fundo
o aroma das florestas refulgindo
... portanto remeto-me ao silêncio
e busco que correntes de lágrimas
me desenxovalhem o rosto.
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
De olhos abertos!
Bem podeis amordaçar-me!
Que me importa,
se estou viva
e tenho um coração que canta?
Bem podeis ir buscar cordas
e amarrar-me ainda mais,
que importa
se sou livre
e o meu espírito tem asas?
Bem podeis meter-me em masmorras,
nada importa!
Continuarei a gritar
que é meu o universo.
Bem podeis cortar-me a garganta,
nem isso importa!
À terra grande e livre
legarei meu corpo:
Morrerei de olhos abertos!
Que me importa,
se estou viva
e tenho um coração que canta?
Bem podeis ir buscar cordas
e amarrar-me ainda mais,
que importa
se sou livre
e o meu espírito tem asas?
Bem podeis meter-me em masmorras,
nada importa!
Continuarei a gritar
que é meu o universo.
Bem podeis cortar-me a garganta,
nem isso importa!
À terra grande e livre
legarei meu corpo:
Morrerei de olhos abertos!
terça-feira, 4 de novembro de 2008
O circulo do ar
me rodeia
só o ar
me abraça
nem sequer há sol
nem sequer há lua
só céu
e areia
mas porque quero ir
vou só, no ar!
mas sendo o ar
circular
ora me leva
ora me trás
ora me larga
suspensa
e vaga
bolha
irisada
suspensa
no nada.
só o ar
me abraça
nem sequer há sol
nem sequer há lua
só céu
e areia
mas porque quero ir
vou só, no ar!
mas sendo o ar
circular
ora me leva
ora me trás
ora me larga
suspensa
e vaga
bolha
irisada
suspensa
no nada.
domingo, 9 de março de 2008
Mulher
Princípio.
Começo eu fui
Eu sei, eu sou!
Em mim se abre
O mistério.
A mim o rio,
E eu fonte me abro.
Eu sou nascente e foz
E me dou
Sendo.
De mim a vida flui.
De mim emana o ser
Que sou
E o que não sou.
Por minhas mãos se parte o pão.
E em silêncio me desdobro,
E em amor me consumo.
Em meu ser
A flor
O fruto
O ramo e raíz.
O céu.
O mundo.
Começo eu fui
Eu sei, eu sou!
Em mim se abre
O mistério.
A mim o rio,
E eu fonte me abro.
Eu sou nascente e foz
E me dou
Sendo.
De mim a vida flui.
De mim emana o ser
Que sou
E o que não sou.
Por minhas mãos se parte o pão.
E em silêncio me desdobro,
E em amor me consumo.
Em meu ser
A flor
O fruto
O ramo e raíz.
O céu.
O mundo.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Quando o luar
Quando o luar resvala nos meus seios
como as tuas mãos brandas
no pico afogueado em devaneios
dos nossos lábios estrelejam poemas
como as tuas mãos brandas
no pico afogueado em devaneios
dos nossos lábios estrelejam poemas
segunda-feira, 16 de julho de 2007
No fulgor de ti, ó mar!-
Rosal de espumas
Aromas Penetrantes
Vindos dalém
Aonde A terra e o mar
Se confundem
Num único Imenso ser
Colo pronto A receber
Todos os sinais De querer
Até o sol vem Deitar
Sua cabeleira Ruiva
No fulgor de Ti ó mar!
E as estrelas brincam
Nas ondas De se esconder
A lua baloiça-se A noite inteira
No teu abraço Infinito
Eu estremeço De pensar
Que detenho
O teu sabor
Em cada beijo De amor!
Aromas Penetrantes
Vindos dalém
Aonde A terra e o mar
Se confundem
Num único Imenso ser
Colo pronto A receber
Todos os sinais De querer
Até o sol vem Deitar
Sua cabeleira Ruiva
No fulgor de Ti ó mar!
E as estrelas brincam
Nas ondas De se esconder
A lua baloiça-se A noite inteira
No teu abraço Infinito
Eu estremeço De pensar
Que detenho
O teu sabor
Em cada beijo De amor!
sábado, 2 de junho de 2007
Espreguiça-se o Dia
Exultante de alegria
Desvaira-se a primavera!
O sol loirinho e travesso
Brinca nas águas do Tejo
É afogueado o céu
Onde se aninha Lisboa
Vem comigo, diz a brisa!
Abarco o esteiro qual vela
Rasando a espuma marinha,
Com a saudade estendida
Na beirinha da janela!
sexta-feira, 25 de maio de 2007
Alívio da Saudade
Rosa de pétalas
Enfim descerradas
Colar de pérolas soltas
Mar de lágrimas
Saudosas
Desafogadas em ondas
Perpassem nas vossas praias
E levem minhas lembranças
De lonjura aliviadas
Que o vento solte a cinza
Reanime a roda-viva
Reenlace as mãos dadas!
sexta-feira, 20 de abril de 2007
E tanto brilhou um dia!
Segue meu fado
na brumaatento à longa
distânciaonde o luzeiro
se afastaA luz alta
da esperança é fugidia
lembrança
que em tristeza se apaga.
na brumaatento à longa
distânciaonde o luzeiro
se afastaA luz alta
da esperança é fugidia
lembrança
que em tristeza se apaga.
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