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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Se o silêncio é de oiro

Hoje faço-me silêncio.

Excepcionalmente hoje,

que me estanquem nos lábios

as correntes das palavras

que não digo nem escuto.

Sequer o mar longínquo

me segreda murmúrios

de terno aconchego.

tudo está calado, como se o vazio

contivesse o soído na noite.

o sol brilha, no entanto

e desfere profusamente

correntes de oiro descoberto,

mas de tão banal e gratuito

passa desapercebido.

os homens decidiram

envenenar os rios de mercúrio

revirando nas mãos combalidas

as vísceras da terra descarnada

buscando o brilho na poeira

com que revestem a vaidade alheia,

a levantar a cabeça e aspirar fundo

o aroma das florestas refulgindo


... portanto remeto-me ao silêncio

e busco que correntes de lágrimas

me desenxovalhem o rosto.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

De olhos abertos!

Bem podeis amordaçar-me!
Que me importa,
se estou viva
e tenho um coração que canta?
Bem podeis ir buscar cordas
e amarrar-me ainda mais,
que importa
se sou livre
e o meu espírito tem asas?
Bem podeis meter-me em masmorras,
nada importa!
Continuarei a gritar
que é meu o universo.
Bem podeis cortar-me a garganta,
nem isso importa!
À terra grande e livre
legarei meu corpo:
Morrerei de olhos abertos!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O circulo do ar

me rodeia


só o ar

me abraça


nem sequer há sol

nem sequer há lua


só céu

e areia


mas porque quero ir

vou só, no ar!


mas sendo o ar

circular

ora me leva

ora me trás

ora me larga

suspensa

e vaga


bolha

irisada

suspensa

no nada.

domingo, 9 de março de 2008

Mulher

Princípio.
Começo eu fui
Eu sei, eu sou!
Em mim se abre
O mistério.
A mim o rio,
E eu fonte me abro.
Eu sou nascente e foz
E me dou
Sendo.
De mim a vida flui.
De mim emana o ser
Que sou
E o que não sou.
Por minhas mãos se parte o pão.
E em silêncio me desdobro,
E em amor me consumo.
Em meu ser
A flor
O fruto
O ramo e raíz.
O céu.
O mundo.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Quando o luar

Quando o luar resvala nos meus seios

como as tuas mãos brandas

no pico afogueado em devaneios

dos nossos lábios estrelejam poemas

segunda-feira, 16 de julho de 2007

No fulgor de ti, ó mar!-

Rosal de espumas
Aromas Penetrantes
Vindos dalém
Aonde A terra e o mar
Se confundem
Num único Imenso ser
Colo pronto A receber
Todos os sinais De querer
Até o sol vem Deitar
Sua cabeleira Ruiva
No fulgor de Ti ó mar!
E as estrelas brincam
Nas ondas De se esconder
A lua baloiça-se A noite inteira
No teu abraço Infinito
Eu estremeço De pensar
Que detenho
O teu sabor
Em cada beijo De amor!

sábado, 2 de junho de 2007

Espreguiça-se o Dia

Exultante de alegria
Desvaira-se a primavera!
O sol loirinho e travesso
Brinca nas águas do Tejo
É afogueado o céu
Onde se aninha Lisboa
Vem comigo, diz a brisa!
Abarco o esteiro qual vela
Rasando a espuma marinha,
Com a saudade estendida
Na beirinha da janela!

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Alívio da Saudade

Rosa de pétalas
Enfim descerradas
Colar de pérolas soltas
Mar de lágrimas
Saudosas
Desafogadas em ondas
Perpassem nas vossas praias
E levem minhas lembranças
De lonjura aliviadas
Que o vento solte a cinza
Reanime a roda-viva
Reenlace as mãos dadas!

sexta-feira, 20 de abril de 2007

E tanto brilhou um dia!

Segue meu fado
na brumaatento à longa
distânciaonde o luzeiro
se afastaA luz alta
da esperança é fugidia
lembrança
que em tristeza se apaga.