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quinta-feira, 3 de julho de 2008

MULHER

Eu, natureza - mulher,


Abrigo homens em entranhas,


Sou espaço e nutriente


De raiz, fruto, semente,


Caneta que escreve gente


Nesta saga de querer...


Sou túnel de prazer e dor


Sou da lógica, a estranha


Sou de guerra, sou de terra,


Sou macia, vivo em cio...


Sou submissa e Senhora


Sou o vazio, tempo afora


Do futuro, sou desejo


Sou um pouco flor e beijo...


O meu ventre gera luz


Num orgasmo intimado


A ser relógio e compasso,


Entre o céu e a cruz...


Condenada a contrapor


As muitas faces do amor


Desfaleço no espaço


E tempo de um abraço


De sangrar derramo leite


Morrendo de dor e deleite


No braços do meu Senhor!

domingo, 18 de maio de 2008

Ar Rarefeito

Este jeito rarefeito
de quase não se viver...
Este meu falar vazio,
corpo, interrogando a vida,
querendo agarrar o nada,
difícil a linha de chegada
neste clima com defeito!

Respiro, invadindo porquês
atuo na falta de jeito.
Meu auto-conceito é vadio,
ao fim, sempre me convida
a ser medíocre. Por nada.

No sofá, minha dignidade,
desnutrida, aflita me fita
querendo amor, pede água
e, o que mais me irrita,
um pouco de caridade
com, o olhar, pingando mágoas.

Parece um cão vira-latas
que afasto com os pés.
Um lado de mim, me maltrata,
o outro, ao contrário, invés
de auto-piedade,
quer ceifar tudo de vez.
Despetalando a verdade,
desequilíbrio em saudade
gritando de amores, segredos,
olhando nos olhos do medo,
de primeira qualidade!