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sexta-feira, 29 de maio de 2009

SE AMOR É...

Se amor é fogo que arde sem se ver

E senti-lo se faz contraditório

Sendo ou não um fátuo fogo ilusório

Por que tanto queimamos de o querer?



Se é ferida que dói e não se sente

Por que insistimos essa dor sarar

Vendo recobro somente no amar

Daquele que d' amor nos faz contente?



Se é um contentamento descontente

Porquê essa alegria que se afunda

No meio da dor que a alma inunda?



Se é dor que desatina sem doer

Que venha a mim a controversa mágoa

Extinga meu fogo a benção dessa água!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

SE EU MORRESSE AMANHÃ

Se eu morresse amanhã, não o permita Deus...

Minha pobre alma penaria sem cessar

Por não ter pousado o meu último olhar

Na redentora luz dos queridos olhos teus



Se eu morresse amanhã, por já prescrita sina

Sem tempo de dizer-te o que o coração cala

Pra sempre ouvirias minha negada fala

A cada passo, a cada som, a cada esquina



Se eu morresse amanhã, sem tua flor ou poesia

À tua ficaria minh'alma aprisionada

Sem luz pra encontrar minha nova morada

Sem golpe d'asa para voar sem nostalgia



Se eu morresse amanhã, não o permita Deus...

Num raio de lua ou brisa morna sentirias

Roçar-te o rosto na maior das estesias

Meu beijo de partida em derradeiro adeus!

sábado, 11 de abril de 2009

UNIDA À DOR DO CRISTO

Só me restava em lágrimas orar

Prostrada em prantos, ouvir o clamor

Dos ímpios que, em sarcasmo, o Redentor

Levavam d’arrasto a crucificar



Eram Suas dores o meu martírio...

Contra os algozes a minha revolta;

De mim, vontade de os matar se solta

Pecando também eu nesse delírio



Da coroa d’espinhos era o meu sangue

Que jorrava; e ao Santo Pai ligados,

Carne em fogo, meus membros perfurados



Aos pés da Mãe que via o Filho exangue

Morrer com Ele, a ânsia que eu sentia

Ignorante d' ALELUIA q'adviria

sexta-feira, 20 de março de 2009

LIBERTAÇÃO

De novo a diáfana leveza
o peito arfante aberto à natureza
liberto das grilhetas do amor
o pensamento claro e fluido, fresco
transparente e receptivo
vogando ao sabor da correnteza

Da turvação dos olhos te arranquei
da mente nublada exterminei
tumor libidinoso e perverso
nascido de veneno de flor

Da radiografia imaginada
sobrou agora a foto, frente e verso,
que não valeu o flash de uma hora…
E a moldura, essa, gasta e deformada
de sonho e poesia mascarada
com dedos de indiferença joguei fora!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

SER POETA...

Ser Poeta é ser diferente

Ter a tristeza latente

E em negrura o coração

Mas em silêncio chorando

C'os versos que vai lavrando

Levar consolo a um irmão





Porque o poeta é amor

Por todos que em desamor

São maioria comum

Deles o mundo está cheio

Olhando o fartum alheio

Sem ter por seu bem algum





Nobre missão do poeta

É ter por sagrada meta

Aliviar mágoas tantas

Esquecendo os prantos seus

Cumprir o poema de Deus

Lavrado em palavras santas

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

VIDAS PASSADAS

Lembras-te, amor? Quanta saudade sinto...

Mais de dois séculos são já passados

Ambos valsávamos enamorados

E no ar pairava um odor a jacinto



Exalava dos jardins perfumados

Cujas alfombras de pesado manto

Cobriam nossos beijos apaixonados

Que incendiavam de desejo tanto



Quanto deleite nesse encantamento

Que estremecia só de ter-te perto

Sentir-te da minha alma a metade



E agora? Separados, que tormento!

Que viver o nosso... triste e incerto

Só nos resta aguardar pla eternidade

domingo, 9 de novembro de 2008

MEMORANDO DE FOGO

Sobre a película gasta e difusa

deste filme saturado

das legendas absurdas da existência

gravo dia a dia

com dedos acesos de sangue

um memorando de fogo:



“Que de mim nunca se apaguem

a ousadia de comediar o drama

a coragem de manipular carências

a audácia de exorcizar memórias

a volúpia de reexperimentar o amor

a sedução de reinventar poemas”

domingo, 2 de novembro de 2008

ALGEMAS DE OIRO

Fecham-se em mim
as tuas mãos...





Algemas de oiro

na mansidão

cerram com elas

ilhas de medos

mares de ciladas...



E os teus dedos

pontas de lume

furam degelos

abrem segredos

nas madrugadas!

sábado, 18 de outubro de 2008

PUDESSE EU SER…

Pudesse eu ser…



A concha onde abrigas

pérolas de palavras inúteis

O cofre onde ocultas

jóias de pensamentos calados

A ânfora onde derramas

cristais de lágrimas antigas



Pudesse eu ser…



Faísca e fogo

na lenha húmida dos teus olhos

Sol e Lua

na sombra difusa do teu corpo

Verde e água

na aridez do teu deserto



Pudesse eu dizer…



Pertenço-te!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

REENCONTRO

As palavras se fazem meras gotas

Dum elixir sublime e já provado

Antes de ora sentir-te e ter tocado

Mais que o corpo tuas vidas remotas



Foi lá que te toquei a vez primeira

Com vestes de guerreiros ou de santos

Quem sabe Madalena em castos prantos

Ou Messalina impura feiticeira



Só sei que desde sempre te conheço

Que o teu toque sensual reconheço

E o cheiro do teu mar já naveguei



E que as palavras são de menos dar

À divina grandeza deste amar

Um reencontrado ser que sempre amei

quarta-feira, 2 de julho de 2008

SUPLIQUEMOS...

Supliquemos...
Um eclipse
da ignorância que nos cerca
Um ciclone
que devaste a injustiça que campeia
O vómito de um vulcão
que soterre o desamor que prevalece
Um sismo
que abale as estruturas de conveniência...

E que essa convergência
de forças obscuras e renovadoras
faça emergir um novo mundo
onde cada um de nós seja
uma estrela depuradora de escórias
difusora
da magnanimidade do Universo

terça-feira, 1 de julho de 2008

SUPLIQUEMOS...

Supliquemos...
Um eclipse
da ignorância que nos cerca
Um ciclone
que devaste a injustiça que campeia
O vómito de um vulcão
que soterre o desamor que prevalece
Um sismo
que abale as estruturas de conveniência...

E que essa convergência
de forças obscuras e renovadoras
faça emergir um novo mundo
onde cada um de nós seja
uma estrela depuradora de escórias
difusora
da magnanimidade do Universo!

sábado, 21 de junho de 2008

SE AMOR É

Se amor é fogo que arde sem se ver

E senti-lo se faz contraditório

Sendo ou não um fátuo fogo ilusório

Por que tanto queimamos de o querer?



Se é ferida que dói e não se sente

Por que insistimos essa dor sarar

Vendo recobro somente no amar

Daquele que d' amor nos faz contente?



Se é um contentamento descontente

Porquê essa alegria que se afunda

No meio da dor que a alma inunda?



Se é dor que desatina sem doer

Que venha a mim a controversa mágoa

Extinga meu fogo a benção dessa água!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

A CHAVE DA ALEGRIA

A dor de te não ter senão em sonhos

Difusa imagem breve e impalpável

Traz-me dias dolentes e tristonhos

Um viver por viver insuportável



Tu... Que das musas és um ser eleito

Furta de suas vestes o segredo

Que desamarre a dor deste meu peito

Ao teu aprisionado em degredo



Que eu... tolhida me entrego à tristeza

Nesta angústia irmã da incerteza

Se o amor entre nós inda é fragrância



Das musas rouba a chave da alegria

E vem ao limiar da nostalgia

Abrir, amor, os versos da constância

domingo, 11 de maio de 2008

CLARO-ESCURO

Ouço-te voz oculta que procuro

Vejo-te volúpia em dor que encorpo

Sinto-te dentro e fora do meu corpo

Perco-te na bruma em claro-escuro



Ouço-te nas aves, voo e canto

Ouço-te na sonata compassada

Ouço-te nos sons cavos da calçada

Ouço-te na chuva, água em pranto



Vejo-te na filmagem riso ou drama

Vejo-te no bailado que embriaga

Vejo-te no incêndio que inflama



Sinto-te no desejo que me chama

Sinto-te mão carente que me afaga

Perco-te na algidez da minha cama

sexta-feira, 9 de maio de 2008

MALDITO CORAÇÃO

Misto d’ave e potro selvagem

Pés de vento, asas de condor

És de mim um esfaimado predador

Que sem dó m’arrastas na voragem



Dos teus arroubos vãos sobra o transtorno

De uma a outra dolosa recaída

Dos céus ao chão dos becos sem saída

Na alma nódoas negras sem retorno




Maldito coração que vais às cegas

Por que de vez teu sangue não sossegas

E me injectas de paixões inconcretas



Teus pés jamais atingirão as metas

As asas falharão cada viagem

Desiste coração! Ganha coragem!

domingo, 6 de abril de 2008

DORMINDO

Mergulho em vós, já ébria de sono

Lençóis rosados, pétalas carmim

Idealizando um cálido Outono

Que ia juntar-nos em vestes de cetim



Sentindo as tuas mãos roçando sedas

E o bafo do teu beijo me aquecendo

No fogo das palavras que segredas

Queimo a noite e dormindo vou morrendo



Mas levo-te comigo no sonhar

Preso ao meu doido amor que subsiste

Nessa morte ateada de luar



E mesmo dormente a melancolia

Relembrando-me a tua ausência triste

Persegue-me no sono em letargia

terça-feira, 18 de março de 2008

ODES, PARTITURAS E DELÍRIOS

Amado meu, amo as palavras, tu bem sabes...

Quer sejam prosa , verso, recado ou canção

São elas o doce bálsamo em que cabes

Mas não calam meus anseios de coração



Leve o vento divagações em que me afundo

Remoinhos etéreos nos quais me anestesio

Que me roçam quando os espalhas pelo mundo

Calor fugaz que deixa em mim rasto de frio



Do teu olhar no meu é verso que preciso

Da tua mão profana a prosear sem siso

Ternas carícias plo meu corpo a vaguear



Tua boca na minha em trovas de beijar

Comporá odes, partituras e delírios

Pena a prumo ardendo rubra como círios

sábado, 6 de outubro de 2007

INDIFERENÇA

Já não é tarde nem cedo…



É o tempo exíguo de um suspiro

da inquietude de um momento

Já não me ferem

a voz cruel do inacessível

nem o eco mudo das paixões



É o tempo sem medida

da memória que se apaga



Na sábia e Divina metamorfose do ser

retomo o silêncio perdido

visto a indiferença pelo absurdo

e caminho

caminho para o esquecimento