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sábado, 18 de outubro de 2008

ESSA SAUDADE

A saudade vive ainda chamando de perto
como rasgando as entranhas do meu Ser,
janela aberta de um passado ainda desperto
volitando no cenário do Sol ao amanhecer.

Foi em tarde de estio na hora pardacenta
no descer do dia calado, que tudo se passou
quando a erva macia oferecia a sua tenda
como quem oferece o leito onde sonhou...

Hoje perdidos no tempo... espaço sem idade
no longe onde a espera se veste de eternidade
brilho fogoso que mora no ventre do passado...

Esse teu corpo feito em promessas e desejos
segue incendiando lábios de outros beijos...
não sejas cinza de um fogo apagado!!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

QUERO SER

Horas choradas no recanto magoado,
onde a vida esconde cada saudade...
caule gemido de mantira já cansado
palavras que respiram só maldade.

Sou aurora virgem, olhando o distante
no deambulante nascer da realidade
serei na vida o cansado caminhante
semeando searas, de Paz e Liberdade.

No meu peito, em grito de esperança
faço a luz no olhar de uma criança
sem que a voz do cansaço determine...

Como quem canta pão e primaveras
edificarei a vida despida de quimeras
libertarei o Sol que aqueça e elumine!.

domingo, 7 de setembro de 2008

PECADO ?...

Pecar, seria não plantar o sol no teu olhar.
Viver só na íngreme ladeira da paixão
desaguando lágrimas no sonho do luar,
não saciar teus beijos que sabem a pão!

Pecar, seria não beijar os teus lábios de mel
moldar a lívida sensação de não ser nada,
folhear meus desejos no hálito da tua pele
aquecer-te em cada noite, na hora desejada.

Deixar de te moldar em páginas de ternura
plantar em cada grito, o teu sol de ventura
encher de esperança, o silêncio dos penedos...

Nessa colina ainda verde onde sonhemos
que fora o leito dos beijos que troquemos
calou todas as dúvidas, e todos os medos...

domingo, 6 de julho de 2008

quarta-feira, 2 de julho de 2008

NÃO ME FALES DE AMOR!!...

Não quero que me fales mais de amor!
Deixa clarear em minha vida só verdades
nada me inventes, do mundo sem pudor...
libertas palavras, em vertentes soledades.

Serei eco na muralha do mundo sombrio
que almeja silêncios nos beirados da vida
farsa que desenha horas de emudecido frio
molda flagelo, em veridicidade prometida!

Solitário mensageiro no ventre da inverdade
como cartel assustador nas ruas da maldade
estágio da vida, em promessa que não basta...

Ho! Não me fales na corrupção do tempo
letargo onde os cândidos gemem grito lento
sol de pedra, como a frieza que me arrasta!!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

VIDA EM BRANCO

Nasceu a fantasia livre no horizonte do nada.
Ridentes sonhos que a vida fez fogueira...
sombra que me fundiu em mero pó da estrada
extenuado sol, que se esconde em cada eira.

Edifiquei mundos, que jazem em velhice de jazigo,
beijos prometidos como fome que sabia a pão...
lamentável rogo, como prece de um mendigo,
rios de promessas, afagando o trono da ilusão!

Paisagem sem fundo, sobre denso nevoeiro...
triste e exausto como velha pedra do moleiro,
que chora dia e noite como espaço já cansado!...

Nas palavras mortas do futuro sem memória
esquecidas no tempo como vida feita história...
mistério lúgubre que respira magoado!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

QUERIA SER...

Queria ser, o florir do sol nos teus dias
feito em manhãs, ornando o teu sorrir!
Ser o despertar do segredo que porfias,
meigo amanhecer, no anseio do porvir!...

Serei teu desmedido amor, em cada dia,
no calor que transborda no meu peito,
marginando nos teus sonhos de magia...
rosa branca, como as sedas do teu leito!...

Quando a imensidão íngreme se desenhar
ficarei no silêncio da sombra, a caminhar
frémito enleio, no horizonte do teu olhar!...

Que sejas o sonho, em cândido esplendor,
como o plácido, desabrochar de uma flor...
corpo fervente, em desejos cor de mar !

segunda-feira, 7 de abril de 2008

INQUIRIÇÃO

Porque nasce a barreira apática e sombria

feita de chumbo magoando o sol cada manhã,

no ombro da caudalosa existência, na íngreme

ladeira das esperanças que eu não idealizo...

mera forma de fantasiar a insolente mentira!







Esperamos a benevolência já cansada de falácia,

no cativeiro que arde chorando o imitar esfíngico

das horas incertas, como olhos de lâminas em

corpos sangrando, sobre o deserto de

esquecimento no ataúde impressionável,

no ornar das essências.







Porque existe o nada com disfarce que asfixia

as auroras nunca chegadas, onde todos os dias

paira a distância do irreal, num capricho avaro

que urge a verdade feita de rochedos, numa

apatia modelada de mitos que esvoaçam leves!..

sábado, 22 de março de 2008

FUGA PARA REALIDADE

Achei teu sorriso no oásis dos meus dias tristes!
A angústia vestiu-se de promessas em searas,
aniquilando o ventre no silêncio magoado,
para saltar serras e regatos, como quem voa
numa forma ancestral dos gestos e das dúvidas!...

Os tempos eram aparência cálida sem futuro!
Mar revolto onde navegavam insanos mitos
onde as palavras tinham sentenças gravadas
na voz dos dias, onde germina o holocausto
numa sempre constante, e inexorável mentira.

Me seduziu teu olhar casto, como a efusão crente
no existir onde guardo o gosto doce de teu mimar.
Onde escrevo na carne do teu desejo, o meu poema
num áureo acidental, com vogais intercaladas...

...caminhamos sobre todas as rotas e todos os medos
para vivermos o amor que chegou a ser verdade!