sábado, 25 de outubro de 2008

100 horas amargas

Segundo o que ouvimos através da mídia, a polícia militar de São Paulo é a mais preparada, a que mais êxito obteve em operação de resgate de vítimas de seqüestro, isso não se pode negar, mas é necessário dizer que, existe seqüestro e seqüestro. Isto quer dizer que nem todo seqüestro é igual.



O seqüestro de uma ou mais pessoas, cujo objetivo do seqüestrador ou seqüestradores é o lucro através de exigências de valores em dinheiro, é diferente do seqüestro que envolve sentimento amorosos apenas.

A vítima de um seqüestro que envolve sentimento amoroso

é mais exposta ao perigo do que a vítima do seqüestro cujo objetivo é o lucro financeiro. As exigências são outras ou essas nem existem. O seqüestrador de uma vítima, cujo ato é alimentado apenas pelo sentimento amoroso não faz exigências, porque o seu objetivo real é unicamente o de matar a vítima, fator de sua desilusão amorosa.



Inegavelmente temos que admitir que a polícia militar tenha seus louros nas operações de resgate de vítimas de seqüestros, mas devemos admitir que haja uma necessidade urgente de rever seus métodos de ação de resgate de vitimas de seqüestro. Há necessidade urgente de diferenciar resgate de resgate. É necessário que existam grupos diferenciados para a operação de resgate. Urge a necessidade de ser criado um grupo especial de resgate de vitima ou vitimas, cujo desfecho envolva sentimentos amorosos apenas. Para isto é necessário um treinamento sério, onde inclusive, os componentes aprendam entre outras artes, a arte de mobilização rápida, no sentido da ação. O que nem isso o grupo sabia empregar, quando da infeliz invasão do apartamento da vítima Eloá. O que se via através de transmissão de câmeras de tv eram socos desferidos no seqüestrador, cuja ação mais parecia uma luta de boxe desprogramada, fora do tablado, misturada com luta livre sem técnica.



Existe na Polícia Civil de São Paulo o GER, “GRUPO ESPECIAL DE RESGATE”.

É de se estranhar do porque esse grupo não foi acionado. Seria por que a Polícia Civil está em greve? Não, claro que não! Mesmo porque essa operação, era uma ação que requeria especialização de resgate de vítimas e a greve da Policia Civil, embora légitima nas suas reais reinvidicações, tem regras. Com toda certeza o GER não foi convocado ou acionado por que a outra polícia se achava bem preparada e queria os louros da ação para si ou se não, por mero orgulho próprio.



Erros infantis e descabidos houve e muitos nessa operação de resgate das vitimas do marginal Lindemberg, uma das quais, aqui cito, foi a de chamar a Nayara que deixara o cativeiro, para negociar com o seqüestrador. Aí já demonstra uma real falta de preparo da equipe de negociação do GATE, apelando para a ajuda de uma adolescente de 15 anos, que já estava livre do cárcere e da mira da arma do seqüestrador.



Não é desconhecido da população brasileira que o GER (Grupo Especial de Resgate) que faz parte do GAS (grupo anti seqüestro) da polícia civil de São Paulo, tem curso de especialização de técnicas avançadas, adquiridas em treinamento longo, fora do pais inclusive, em especial na SWAT americana. Não tenho dúvidas que se esse grupo fosse acionado o desfecho da ação, do caso Santo André, seria outro, com resultado mais feliz.

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