quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Quando...

Quando as mãos suam frio...
E a alma se perde no vazio, sem esperança.
Quando pessoas queridas se tornam estranhas.
Gestos de suposto carinho demonstram agora
Só vaidade, orgulho, falta de verdade...
Quando o coração acusa traição,
O gelo fere a língua, o verbo não mais
É necessário, só o silêncio explica...
E o mundo vai perdendo mais um ser,
O mar mais um grão, mais uma planta
A morrer na terra, no chão...
Onde está aquele com quem um dia
Sorri e chorei, e chamei de irmão?
Vejo rosas pisoteadas e espinhos nas mãos.
Matou-se a flor ainda em botão...
Vazio, só vazio, nebuloso rastro de fim.
Almas perambulando pelo mundo
Como fantasmas buscando misericórdia...
Caminham de encontro ao nada...
Já não há mais tempo de retroceder,
A hora da triste verdade chegou,
Terminou a pista, a estrada...
Quando um amigo, um irmão
Nos traiu, só podemos ir, partir
Sem olhar para trás, sem questionar,
Sem entender, com a voz embargada...
E a existência de dor transpassada...

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