Cascatas sinuosas, ondas do alvo tafetá,
enlaçam inteiras o corpo pálido, antes nú,
que, em purpurinas, na ermida estava lá,
no teu aguardo, em ânsia, como sabes tu.
A inesperada ausência atinge-me o peito;
dores se alojam nos vãos do meu cansaço.
Suplico-te! Não te recuses, caso desfeitos,
aos górdios nós que nos prendem em laços.
Diáfanas mãos, com dedos entrelaçados,
ferem a madeira, a que me separa de ti;
azuis veias saltitam nos dorsos rasgados.
E tu te negas à mim e à dor que lá senti.
Abandonas quem te amaciou em carinhos
te enlaçou nos negros, cruéis momentos,
aqueceu em rubros beijos, pelos caminhos
da longa jornada, manchas do sofrimento.
De teu abandono,
só me resta a bruma que me envolve,
atravessa o tecido e gela minh´alma...
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