Nas horas de íntimo desgosto,
recorda-te de mim.
Lembra-te deste coração
que um dia já foi teu,
e que em tantas longas horas
ternamente te pertenceu.
No calvário de minhas dores,
eu também hei de me
lembrar de ti.
E quando minhas tristezas
insistirem em me acompanhar,
lembrar-me-ei do coração
que um dia eu amei,
por que o quis tão ternamente amar.
E quando as alegrias de um antigo,
ou um novo amor,
teu coração visitar,
lembra-te das minhas palavras.
Lembra-te que o coração
vive de amor
e ha de sempre
querer outro coração amar.
E quando nas horas de solidão,
as lágrimas insistirem
teus olhos marejar,
chore, sim chore!
Pois será com as lágrimas que
o coração hás de lavar.
Eu também farei o mesmo
na minha recordação.
Lavarei o coração com
as lágrimas daquele amor,
que um dia minha alma perfumou,
quando te transformaste para mim,
naquela linda e perfumada flor.
E quando alegremente
sentires do mundo minha partida,
não chore,
pois a morte é apenas um
hino de louvor, e também uma guarida,
anunciando o adeus
de uma alma já esquecida.
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