domingo, 26 de outubro de 2008

PARA SE LEMBRAR DE MIM

Chegará o dia em que meu corpo

estará inerte sobre um lençol, num hospital.


Num certo momento, um médico determinará

que meu cérebro parou de funcionar e que,

para todos os propósitos e finalidades,

minha vida acabou.


Quando isso acontecer, não tente prolongar minha vida

artificialmente, através de uma máquina.

E não chame a minha cama de leito de morte!

Chame-a de “leito de vida”

e faça com que meu corpo sirva para que outros

tenham vidas mais plenas.

Dê minha visão para o homem
que nunca viu o nascer do sol,

o rosto de um bebê, ou amor

nos olhos de uma mulher.


Dê meu coração para uma pessoa

cujo próprio coração tornou-se insuficiente

para expressar o amor

que nele habita...

Dê meus pulmões para alguém

que precisa do oxigênio para

realizar seus sonhos e traduzir

em ações, seu idealismo.


Dê meus rins para aquela mulher

que depende de uma máquina para existir

e que deseja tão ardentemente envelhecer

ao lado do marido amado.

Dê meu fígado para aquele homem

que precisa ficar vivo

e recuperar a energia com que sempre lutou

pelas causas mais nobres...


Pegue meus ossos

cada músculo,

cada fibra e nervo de meu corpo

e encontre uma maneira de fazer uma criança aleijada andar!

Faça com que explorem
cada canto do meu cérebro!


Peguem minhas células, se necessário,

e deixem que cresçam

para que se multipliquem,

transformando em vida e esperança

o sofrimento e desamparo dos seres humanos.


Queimem o que sobrar de mim

e espalhem as cinzas pelos ventos

para ajudar as flores a crescerem..

Se houver alguma coisa para enterrar,

que sejam as palavras ásperas que eu disse,

os gestos solidários que não fiz,

os preconceitos que externei...”


Se você, minha amada,

quiser se lembrar de mim,

faça um gesto de carinho,

diga uma palavra de estímulo,

acolha o sofrimento de alguém que precisa de você.

“Se você realizar tudo que eu pedi,
viverei para sempre!”

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