quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Entardecer

Às cinco horas da tarde
Me deito na areia a pensar
Ao leve murmúrio das ondas
Não tenho ninguém para amar

O amor, que será isso
Que tantos dizem sentir
E bom, quente, gostoso
Penso que estão a mentir

Nisso saindo das águas
Linda o corpo molhado
Se encaminha para mim
E se deita ao meu lado

Julgo estar sonhando
Tão bela não pode existir
Olhos negros e profundos
Lábios sempre a sorrir

Me fitando com doçura
Se espreguiça indolente
Num gesto tão feminino
Céus! Como é atraente

Sinto então dentro do peito
Meu coração palpitando
E bom, quente, gostoso
Será o amor, fico pensando

Ao perguntar que queria
Seus olhos crisparam de dor
E disse com voz suave
Que procurava o amor

Agora nós nos beijamos
E eu sinto e ela sente
Que o amor tão procurado
Chegou assim, de repente

Mas logo ela se levanta
Adeus, põe-se a andar
Entra nas águas plácidas
E some no fundo do mar

E daquele amor tão puro
Restou para o meu coração
Após ela ir embora
Seu corpo marcado no chão.

Às cinco horas da tarde
Me deito na areia a pensar
Ao leve murmúrio das ondas
Não tenho ninguém para amar.

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