Um dia fui como uma rocha
fui fortaleza, frutifiquei,
amparei e embalei nos meus
seios meus filhos,
acalentei-os, saciei-lhes a sede,
a fome, o frio...
Encaminhei-os na escola da vida
e preparei-os para o futuro.
Esse fruto chegou rápido
e logo frutificou,
me deu de presente dois anjos,
meus netinhos Lucca e Enzo,
novos caminhos surgindo e
trazendo a luz para meu coração.
Nesse meio tempo
pai, mãe, marido, irmão,
já tinham feito a passagem,
eram tempos idos...
mas não deixei a dor tomar
conta de minha existência.
Descortinei a vida,
saí das sombras,
fui à procura da luz
mesmo tendo levado
algumas rasteiras da vida,
caí, agonizei, mas sobrevivi.
Ficaram algumas seqüelas:
marcas profundas, cicatrizes
que o tempo jamais apagará.
Nunca me deixei levar
pela tristeza, nem deixei
meu coração ficar em pedaços.
Sou como uma árvore
frutífera, verdejei, produzi frutos...
hoje ofereço o frescor de minha
sombra para agasalhar os irmãos
que se perdem nas estradas
e padecem sob o causticante sol.
Se vivo a poetar
a sonhar... a devanear
isso não sei.
Sei apenas que sei viver
e da terra improdutiva
extrair o amor , a essência
viva e pura da vida.
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