domingo, 6 de janeiro de 2008

Carta sem data

Seique existes, mas ignoro teu nome.
Não o soube nunca, nem o quero saber.
Mas te chamo amigo para falar de homem para homem, que é a unica maneira de falar de uma mulher
Essa mulher é tua, mas também é minha.
Se é mais minha que tua, o sabem ela e Deus.
Somente sei que me quer como ontem te queria,
ainda que, talvez, amanhã nos esqueça, aos dois.

Veja: agora é noite, eu te chamo meu amigo amigo; eu, que aprendi a estar só, para quere-la mais; e ela, em tua própria almofada, talvez sonhe comigo; e tu, que nao o sabes, não a despertarás.

Que importa o que sonha!. Deixe-a assim, adormecida.
Eu seirei como um sonho, sem manhã nem ontem.
e ela irá de teus braços para toda a vida,
e abrirá as janelas do entardecer

Fica tu com ela. Eu seguirei o caminho.
Já é tarde, tenho pressa, e ainda há muito que andar, e nunca quebro um vaso onde bebi um bom vinho, nem semeio nada, nunca, quando vou até o mar.

E passarão anos, favoráveis ou adversos,
e nascerão as rosas que nascem por si;
e acaso tu, algum día, lerás estes versos,
sem saber que os fiz por ela e para tí....

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