quinta-feira, 14 de junho de 2007

MANUMISSO

Eis que já me vou, livre entre ícones e grifos
cruzando os costados, descendo alambrados
sobre as cordilheiras volateio este meu brado
sou prodígio, gota que se esvai pelo postigo.


Danço, ritmando o véu a todos os tambores
desço do anel, corrijo o epígrafe designado
c'o obscura tinta na seca pauta caligrafado
cruel sentença! A padecer em negras cores.


Tomo à palma o centeio, o joio já separo
centelho a viva luz naquele triste espelho
e lanço na sementeira o verbo alforriado,


liberto da algema incoerente e sem razão
solto aquele grito oprimido pelo vermelho
que fizera de mim, sombra sem compaixão.

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