sábado, 14 de abril de 2007

O velho e o mar

O velho lobo do mar
de olhar turvejado pelo tempo
de uma vida após o outono,
partiu para o grande oceano.
Aproa ao sabor do vento...

E lança o seu barco ao mar
içando as suas longas velas.
Sem limites para sonhar,
quer netuno encontrar
nessa primorosa aquarela.

Viaja em dupla jornada:
no mar, e para dentro de si.
Dessas duas metas na vida,
navegar é a sua preferida,
pois, não lhe deixa distrair...

Com as ilhas de um pensar
ou um recife de esquecimento.
Pois, se a solidão lhe traz calmaria,
vem tempestades de agonias
num revoltoso mar de tormentos.

Mas, a paz de um navegar,
traz-lhe coragem para lutar.
O mundo inteiro é só luz,
de uma estrela que lhe induz
a uma vontade de sonhar...

Lembrando do berço infante,
de nascentes, fontes e poentes.
Da terra onde andou inocente.
vivendo tão alegremente, sob
a luz de uma estrela cadente.

Andejo vai pelos mares
procurando um ensejo
para nunca parar de sonhar.
O “é preciso navegar”...
Satisfaz-lhe o itinerante desejo.

Netuno que o velho procurava
foi-se como um vozear distante,
quando a nova manhã chegava.
Mas... Um sonho mal começava!
Ao seguir o velho mar adiante...

Sem comentários: