terça-feira, 5 de abril de 2011

Há coisas bonitas na vida...

Bonitas são as coisas vindas do interior, as palavras simples, sinceras e significativas.

Bonito é o sorriso que vem de dentro, o brilho dos olhos...

Bonito é o dia de sol depois da noite chuvosa ou as noites enluaradas de verão em que todos saem de casa.

Bonito é procurar estrelas no céu e dar de presente ao amigo, amiga, namorado...

Bonito é achar a poesia do vento, das flores e das crianças.

Bonito é chorar quando se sentir vontade e deixar que as lágrimas rolem sem vergonha ou medo de crítica.

Bonito é gostar da vida e viver do sonho.

Bonito é ser realista sem ser cruel, é acreditar na beleza de todas as coisas.

Bonito é a gente continuar sendo gente em quaisquer situações.

Bonito é você ser você.

Pense nisso...

Muita paz e luz!

sábado, 2 de abril de 2011

FRASE DO DIA

"Mais importante que adquirir uma grande sabedoria é a humildade na hora de trasmití-la."

ALMAS DESAVINDAS

Tenho tantas almas,
que, no descrer,
são montanhas a aparecer,
vãs e inúteis – sensações,
que a Razão desconhece,
e no mar permanece.

Bóiam águas calmas,
nos fúteis pensamentos…
perdidos remos e alentos,
vagando águas, outros olhos –
que nos meus, não têm porquê,
como um haver, de nem sei quê.

E da montanha, a descer,
só um nevoeiro se vê,
nado ou posto, como nem quê –
como estas almas, que me assaltam,
num redemoinho, de momentos,
cobrindo-os, de feros ventos.

Minhas almas desavindas,
são como esses ventos,
insistem nos pensamentos,
que de haver, já o eram –
assim um arado, na pedra,
onde alma alguma, medra…

QUERIA UM SOSSEGO DE SOSSEGAR-ME

Queria um sossego de sossegar-me,
entre crianças e flores a lembrar-me,
que o que sou ou fui, inda insiste,
no debruar das nuvens, que consiste.

Lembranças são barcos a perder-se,
num oceano, que, no mar, invertesse,
o sentido das cousas, e ao essencial,
que no mundo buscasse, o segredo original.

O resto é nada.
Cala.

AQUELE QUE EM FLOR TE QUIS

Não sei que sou ou fui,
sou um rio que flui,
entre o estar e o ser,
que a poucos tem dizer.

No oceano derradeiro,
de todos fui o primeiro –
ficou-me da vã Sorte,
a certeza, que é como à morte.

E se sou um sono de dormir,
minhas mágoas a carpir,
durmo em mim o que não há –
dum a outro lado, se bastará.

Tudo é vão, quanto consente.
Nunca fui feliz nem contente…
e se hoje me sinto a amar,
é porque antes, soube sonhar.

E se no sonho, doutro sonhei,
talvez tenha sido um rei,
ou a lua, quando desaparece,
que à manhã trouxe benesse.

Aquele, que em flor te quis,
como se traçasse a giz,
o teu rosto, que nem sei,
de tudo quanto eu te dei.

NESTA VIDA E À SUA SORTE

Nesta vida, e à sua Sorte,
caminhamos nosso bem-querer.
Como quando a alma é forte,
e tem sempre, o que nos dizer.

Não sou senão um passageiro,
que, ao passado, nada deve.
Fé? Que sei eu? Metade ou inteiro,
à régia sina, não foge nem teme.

Tudo é nada, e é essa a beleza…
recordar é exercício inútil…
como quando, uma certeza,
mo mostra, que tudo é vão e fútil.

E, assim, no outeiro, que luz,
quando a noite a nós é chegada,
minha alma canta e seduz,
como um carme, à minha amada.

HÁ UM SOM DE SONS NO AR

Há um som, de sons, no ar,
entre a nébula e a cessação.
E, a melodia, a se escapar,
inda palpita, na minha mão.

Como se houvesse lembrar,
que no pensamento ficasse,
de um velhinho gorjear,
do pássaro, que lá reinasse.

E de um ao outro, o canto,
que eis ouvido, na floresta,
não fosse senão um espanto,
de tudo o que nos resta.

Ilusão ou simples alquimia?
Quem, destes sons, escutou,
sua razão, entanto nasceria,
o que só o coração guardou.

DÁ A SURPRESA DE SER…

Dá a surpresa de ser o espanto
de nosso ser.
Pequeninas, pequeninas estrelas,
que, no azul, cintilam distâncias,
levam a voz do homem, ainda criança –
e na palavra mole da infância,
árvores são plantas e flores têm nome
de mulher (como as andorinhas,
de par em par, sua graça: primavera).

Amanhecem as minhas penas,
que de esperanças andam desavindas,
e o sol doira nos espelhos, que evito,
por lhes saber a constância e a ilusão –
além muito além, onde o horizonte,
mais não é que um pobre risco circular,
cedendo à vontade das cores “arco-íris”
(nuvens esgarçadas mais o verde
das folhas, de olhos fechados).

Saio do recesso de minha vigília.
Na janela me debruço; guardando
jardins abertos –
onde medra a ervinha e os jasmins,
e tu costumas passar,
jarra na cabeça, pés descalços
( e no teu corpo femíneo, um “adeus”,
de mãos enternecidas,
que no poema versado, folhas desfolhou).

BRILHA O SOLZINHO NAS AVENCAS

Brilha o solzinho nas Avencas
dormitando pétalas por abrir
na orla do rio se espalham
e levam o dia a descobrir
se de azul ou de verde se remetem.

Águas lúcidas – tão lúcidas –
(como gorjeios de aves)
têm cavalos de espuma
na embriaguez dos enclaves
além, além de tua tímida nudez.

Escutai poetas:
se o rio nasceu para ser
devemos-lhe o espanto e a alegria
como os teus olhos, amor, que, ao ver,
magnificência tamanha te enamora.

POEMA REALISTA

Um rio de misericórdia e de angústia
na alma calou a fulva receosa
(de quem a voz que me surpreende
quando o grito das águas anoitece?)
corola que estiola de pétalas caídas
no azul desmaiando, soberba lua.
Mortificadas folhas jazem agora no chão
inventando lugares e escaparates
arremessadas pelo vento que é distância
mais que prudência ou ignorância –
dos “homens” falíveis e inflexíveis
que estupram Mausoléus de pedra
incrementada.
Voo de mariposas de asas cor de escarlate;
soam os sinos a defuntos na abstracção
da pedra santificada (dorme a besta) –
embriaguez saturada de mãos vazias
que o rio colhe e o pescador zurze nas redes
buscando o peixe enredado: a momentos
esquecido quando da foz se vê o azulejo.

MINHA PÁTRIA SEM NOME

Minha Pátria sem nome,
nem pronome;
e em cada verso, o Tejo
rumoreja –
Camões compondo
líricas, no líquido das
fontes recessas,
apelando ao visco da pedra.

A pedra é sempre pedra,
esculpindo meu rosto
(como quem funde oiro,
ou coisa nenhuma) –
e os pássaros no restolho,
anunciam o entardecer,
no crepitar ansioso
das águas, na pressa de chegar.

Vãos de escada; e em
cada esquina um fascista;
escondendo-se fedendo,
nas alturas dos
arranha-céus – melhor
seria pô-los a todos,
à disposição do povo:
doutrinando-os de socialismo.

Tenho fome de dentes
na tábua… de morder o éter
insalubre, com que
deixaram meu país,
à beira do colapso flexuoso
(só a poesia pode numerar
e restringir os excessos,
da criança, que tudo sabe).

Anseio minha Pátria livre,
de escumalha
e de escombros políticos;
alva brisa adentrando nas
folhas das árvores,
guardando pela nossa
inteireza, o nome com
que do Pátrio nos elegemos.

PÓS-OPERANDIS

Meu ser inerte,
corpo desnudo
e cru; metáfora
de mãos aprisionando
meus sentidos;
éter rarefeito,
na sala purificada
e gaseada.


Faca perdendo-se
na carne doente;
é gume é cabo,
ordenando
sua propensão –
o teorema,
que rasga minhas
entranhas.


Recobrar,
no meio caminho;
e a faca suga
a lâmina, que busca
a inflamação
(não sem antes
intensificar,
a anestesia).


Envolto em tubos,
regresso às
paredes simétricas;
brancas;
(e o relógio parou, ficou
a faca o gume
e o tempo ,
que lá ficou).


Cavalos desnorteados;
dir-se-ia, que
estou inválido!
Sorrisos femininos,
acodem meu corpo
(se não fosse faca,
seria relógio,
ou chumbo de bala).

NOSTALGIA

Todo o amor, que me tens dado,
guardo-o no coração, enlevado…
É como o carinho, que a ofertar,
quisesse do afecto um beijo deixar.

Em cofre de marfim está guardado,
que no teu colo sinto-me abraçado…
E no silêncio do que possa parecer,
as rosas do amor, que as viu nascer.

E acaso sou eu, teus olhos a guardar,
confesso… sim… sinto-me apaixonar…
É como se o céu descesse até mim,
e em branca alvura, trouxesse-me a ti.

E por todo o lado Narcisos a corola
expõe; e o mal, se existe… estiola…
Menos o nosso amor, que é eterno,
persistente no querer e muito terno.

APENAS UNS VERSOS

Compulsivamente o sol venceu o gris,
das ondas e do céu mostra-se ameno,
em toda a sua generosidade rarefeita,
lembrando a sua génese contrafeita.

Continua a brilhar na noite insalubre,
com fogachos de luzes intermitentes,
e lá dentro nas casas as luzes brilham,
enquanto à mesa as pessoas se animam.

E guerreiam as estrelas, pela posição,
que julgam de direito no espaço sideral,
caem, levantam-se se metarmofeiam,
e do brandíssimo Universo se alheaião.

E uma criança com bola joga a rodapé,
esquecendo a chuva e o frio lá fora,
bola para cá, bola para lá, num ritmo
preciso, que o sono, brando, é íntimo.

DE MUSA SE FEZ SILÊNCIO

De musa escolhida,
a musa descabida,
foi um passo
a rememorar,
levando o poeta
a se atentar,
que estava só sem
palavra da escolhida,
com seus versos
falhos de palavra amiga.

Assim sem musa,
que o poeta usa,
na entrega total,
com setas nos braços
e músculos,
astuto chacal,
devorei géneses,
que do poeta foi um dia,
os poemas cantados,
em firme sincronia.

Tudo isso acabou,
tudo isto findou,
meus versos
vão sozinhos,
na noite sem par,
mais os reversos,
do poema difuso;
não me importa,
nem quero saber,
se há alguma porta.

TRISTE LUAR

Cai a noite no cinzento cru do rio,
vem branda mas trás tanto frio,
que eu sou obrigado a lembrar,
que é o inverno lá fora, a regelar.

A tudo colhe o seu braço esguio,
muros, casas, de negrume tingiu
a mão que a cobre, sobre o luar,
sem estrelas no céu a enamorar.

E as pessoas que de longe cingiu
perguntam-se se alguém partiu,
ou se é assim, a tristeza a chegar,
de mansinho, parecendo chorar.

MEDO

No dia em que me esquecer de ti,
de mim me olvidarei para sempre…
como vagabundo andarei por aí,
sem passado, futuro ou presente.


Desleixado em meu caminho serei,
entre esquinas, dormindo escadas…
e tudo que alcançar é aquilo que não sei,
nem quantas serão aqui as estradas.


Meu nome deixarei ao esquecimento,
com janelas fechadas para o prazer…
e viverei num eterno entorpecimento,
de todo perdido, sem saber o que fazer.


E quando, enfim, a omissão se formar,
apoderando-se de mim sem remissão,
num golpe de asa, hei-de me lembrar,
que um dia, já foi teu, o meu coração…

MAGNÓLIA

No meu peito aberto, magnólias
e nardos; mais as rosas
esquecidas, no teu regaço aberto,
não por acaso as deixei lá devidas,
comigo aqui por perto.

De pétalas cubro o teu sono,
que eu desvendo, brincando
com os teus sonhos, de cá para lá,
e de lá para acolá,
como que levitando.

E acordado em mim, ciente de
minha postura, teu corpo desvendo,
pelo toque suave de minha mão,
que tem cheiro a terra e desfolhada,
e é um rito qualquer, de antemão.

Acordas; sorris; e voltas a adormecer,
na quietude da noite branda.
Fecho as janelas e, deitando-me,
a teu lado, sopro-te um beijo,
de roupa te cobrindo, ajeitando-me.

AH, DÊEM-ME ROSAS!

Quis Deus que eu fosse esta fraca figura,
Que não tivesse nem terras nem empresas,
E deu-me por espinhos excessiva ternura
Com que visto as minhas muitas incertezas.

E o sono vem sempre tarde por esta altura,
Quando a partilha é solidão e reais certezas...
E o vetusto caminho, de minha candura,
É uma paisagem vazia de mãos ilesas.

Assim sou dois, o que quer e o que rejeita.
E revolta-se-me o coração, a toda a hora porvir,
A vida e com ela o amor que me enjeita.

Ah, dêem-me rosas, e um mar de calma!
Brancos braços de mulher onde dormir,
O meu desassossego, a minha alma!

CANTIGA DE AMOR

Com flores te recebo e calo
porque no silêncio
está a tua voz de quebranto
e de amor eterno,
como este céu que te canto

Céu de estrelas e de um pranto
que é mais ausência
que dor no peito, chora baixinho
a guitarra em meu leito,
cai a noite segura devagarinho

E o beijo recebido com carinho
adormece nos braços
de uma canção,
que na areia das praias e das conchas
é toda esta minha emoção