domingo, 15 de agosto de 2010

Pai ( Faz hoje 6 anos que partiste e deixaste muitas saudades )

Saudades de você pai

Meu fiel amigo e companheiro

Meu cúmplice e parceiro

Os anos se passaram e a saudade ficou

Para sempre em meus pensamentos

A sua sempre viva calou

Mas ainda vive dentro de mim

Perfumando o jardim dos meus sonhos

De menina e mulher

Sonhos que foram nossos

Hoje somente meus

E esteja onde estiver

Pode ser na estrela mais distante

Nem que seja por um instante

Um dia iremos nos encontrar

E juntos iremos cantá-la

E nossos sonhos sonhar...

DE PAI PARA PAI

Pai, como pai que também me tornei poderei te falar como pai. E é assim que eu quero te falar hoje. Eu quero te dizer uma conversa franca de pai para pai...

Agora que estamos a sós, me responda, como é bom ser pai não é mesmo?

Ou ser pai, é quando deixamos de ser filho para nos consagrarmos deus? Ou é quando recebemos esse presente de Deus, que chamamos de filho?

Mas como é divino ser filho também, não é mesmo pai?

Como é dignificante ser filho e pai ao mesmo tempo! Assim exclamo porque foi através de ti que me fiz vida, e no contexto dessa vida me ensinaste a conhecer a esperança e o amor, e como filho, nessa esperança assisti a transparência alva da paz vinda de teu coração, visível no teu sempre meigo olhar.

Pai, no aprendizado natural da vida, o mais louvável que me aconteceu foi o que aprendi de ti.

Foi te observando a cada passo, a cada momento, que absorvi o dom da paternidade, foi de ti pai que herdei os gestos sagrados das virtudes, foi de ti que me veio o ensinamento da observação das belas paisagens ocultas da vida, dos abrolhos que a própria vida nos dá em amor. E é assim pai que eu quero te falar;

E é assim que eu quero reconhecer-te sempre, e te dizer do amor, desse amor de filho, esse amor que sinto por ti.

E também esse amor de pai para pai, ainda que em tempos opostos. Estejas onde estiveres eu sempre serei teu filho e tu serás eternamente meu Pai.

sábado, 14 de agosto de 2010

FRASE DO DIA

"Somente o homem, dentre todas as criaturas da terra tem o poder de mudar seu padrão de pensamento e se tornar o arquiteto de seu destino."

PRENÚNCIO DE AMOR

O amor tem de ser consentâneo com o que os dois esperam um do outro.
Amar tem de ser recíproco consentindo-se algumas nuances sempre de
acordo com as duas pessoas em causa. Embora dois elementos diferentes
o amor tem o condão de gerir as diferenças e de aumentar as concordâncias.
Pode haver desacordos mas estes devem ser esmiuçados até se chegar a uma
conclusão de acordo com o que é melhor para os dois apaixonados.
A flexibilidade e a renúncia de certos pontos têm de ser assumidas como o bem
pouco que lhes resta.
Amar é um estado de espírito uma ilusão que se vai construindo até se tornar
uma realidade factual. É ainda um estado de graça pelo qual as pessoas se
engrandecem e tornam-se maiores e mais esclarecidas, é um momento bonito
de se viver. Amar é partilha é estarmos na dor e na felicidade do outro como
se fossemos uma única pessoa. É saber escutar mesmo em silêncio pois os olhos
dizem muito e o silêncio fala através de gestos corporais e faciais.
Encontrar a alma gémea é a procura incessante de todos, alguém a quem passear
de mãos dadas com um sorriso largo nos lábios. Não se precisa dizer nada para
saber o que um quer e logo sua solicitação é atendida. Amar é estar no na alto de
uma montanha e gritar aos quatros ventos o quanto se ama a plenos pulmões.
Sentimento de pura entrega, o amor não suporta o diz-se que diz-se da inveja
que infelizmente reina em muitos que não sabem o que é uma entrega sem
barreiras, o amor supremo ama por debaixo da vaga e nunca morre, quanto
muito pode-se é trocar de interlocutores, mas o amor esse permanece à espera
de novos parceiros, que tudo fazem para mostrar o seu contentamento com
palavras ternas e apaixonadas, fazendo-nos sorrir muitas vezes ao acaso. Quem
ama norteia-se pelo bem-querer dos dois amantes, nascem os agrados e uma
surpresa é sempre recebida com o sorriso mais bonito da Terra. Correr pelos
jardins como duas crianças, andar de baloiço, mostrar o como somos falíveis
com um aceno de cabeça e a palavra «amo-te» para sossegar o nosso ego.
Não ama quem quer ama quem se predispõe em aceitar condições, que não
eram ao princípio do indivíduo em causa, é saber mudar para que haja uma
intuição única que nos faz saber uns dos outros estejamos longe ou perto da
pessoa amada. Ah, o amor, esse perfeito estado de alma pura.

NO ACTO DE ESCREVER

Eu não sei se escrevo o que penso se penso o que escrevo.
Tenho consciência que escrevo o que me dita a alma e que
escrevo para os outros, como forma de lazer ou de pura
reflexão. Acho que escrever é exercitar o nosso pensamento
assim como é uma divida que eu tenho para com os leitores.
Se alcanço o que me proponho não sei mas apraz-me que
haja quem me leia e comente minha obra com toda a seriedade.
Em tudo o que faço ponho o máximo de mim sem me escusar
a qualquer esforço nem esperar nada em troca que não seja
a humildade de meus leitores e a dignidade de meus críticos.
Sou feito de intuição e observação, e sempre procuro a
perfeição para os meus escritos. Sei que é algo impossível mas
não consigo fugir a esse enlace, que me domina contextualmente.
Escrever para mim é uma responsabilidade a que nunca fujo e
sinto orgulho por dizer que nunca deixo nada ao acaso nem faço
descaso daquilo que escrevo pois respeito muito quem me lê.
Como qualquer escritor e poeta sou um pouco de sozinho não
de solidão embora às vezes seja apanhado no meio de um
turbilhão de sentidos que me perdem por momentos e me
duvidam enquanto ser consciente de muitos. Sou introspectivo
e razoavelmente razoável, mas não faço da razão meu senhor.
Sonhador o quanto baste acredito no bom senso do ser humano
e dou-lhe a margem de dúvida suficiente para poder errar, o que
não suporto é as pessoas incorrerem no erro sistematicamente
por omissão ou desprendimento de suas responsabilidades.
Multifacetado escrevo de tudo um pouco, mas a poesia livre
cativa-me acima do restante. Quando escrevo tento encontrar-me
e encontrar o cimentar de uma base que me faça entender
perante os demais que como eu apreciam a cultura da escrita.
Não escreve quem quer escreve quem tem intuição e é socialmente
preocupado com as coisas que precisam ser esclarecidas na posse
de todas as suas faculdades inerentes ao bom entendimento.
Assumo o acto de escrever como um trabalho digno de se realizar
e de ser socialmente aceite como ferramenta para atingir diversos
fins. A escrita é abrangente e percorre muitos caminhos até chegar
aos seus leitores, que procuram na leitura uma forma de se
sentirem esclarecidos e devidamente avisados, quando a preocupação
é sócio cultural ou de puro ócio. É um prazer que se constrói intimamente
mas sempre ligado a quem futuramente lê o que se acabou de escrever.
Escrever é um acto de crescimento para o seu autor e é uma forma
de valorizar a vida. Não sei porque escrevo mas sei porque devo escrever:
acto contínuo de minha responsabilidade perante os menos esclarecidos.

E POR FALAR DE AMOR

Quando se ama não há barreiras
e todo e qualquer conflito é
ultrapassado com o bem-querer
maior que nos sublima.
O amor aceita e concede forças
para ultrapassar quaisquer
dificuldades que normalmente
tendem aparecer e de outra forma
não teria a autenticidade que o
amor nos concede e põe à prova
o quanto nos dedicamos e
concedemos o futuro de nossa vida.
Amar é renunciar e provar «a» por «b»
que tudo tem resolução no amar o
próximo.
Devemos por isso olhar bem para
dentro de nós e perguntamo-nos
o quanto estamos dispostos a abdicar
para levar avante o nosso amor.
No amor não se pergunta nem duvida
concedesse e dispõe-se a ser flexível.
O mesmo para a compreensão, só
aceitando o outro como ele é se pode
avançar e alcançar o amor supremo.
Os defeitos são aceites com a mesma
normalidade com que se ama o
próximo e fazemos deles a nossa força.
Quanto mais se ama mais se concede
e aceita-se a fragilidade de quem tem
amor para dar e dividir. O amor é cego
mas não deixa de ver o que é melhor
para si e para o parceiro de comunhão.
Quanto mais reflicto mais me aproximo
da perfeição e do amor conjugal
partilhando dum mesmo sentido plural
e reflexivo com a minha parceira.
É da união e compreensão que nasce a
força inerente a quem ama, nunca a
desilusão se compadece e cria raízes.
No amor as dificuldades são feitas de
simplicidade e coerência nada
exemplifica má coordenação e falta de
empenho. O que é de um é do outro.

ÉS A CHUVA AOS BORBOTÕES

És a chuva quando cais aos borbotões
és o sol quando nasce detrás do
horizonte, recém-nascido das nuvens
afastando o orvalho matinal e virginal.

Teu doce despertar cria em mim uma
corda de insónias que eu vou querer
perpetuar com sangue e nervos que
me conciliam e me perpetuam aqui.

Crias em mim uma volúpia crescente
que me faz contundente e arisco
por te ter junto a mim no presente
continuo e nada vulnerável ao

situacionista pensamento procedente
que nos faz amantes sem precedentes
nem preconceitos estabelecidos e
preconceituosos da estabilidade acintosa.

POSSESSÃO

Falta às pessoas um pouco mais de humildade
dizerem ao que vão e o que querem. Habitam
em nós muitas máscaras possessivas e por demais
evidentes para que se possam subtrair por um
comportamento mais condigno e de acordo com o
ser humano falho e imperfeito. O supor que algo
de sobre-humano traz perfeição e que o tempo
tudo atenua e desculpa ou rectifica nossos erros
humanos faz de nós pessoas solitárias e prepotentes.
A riqueza está sempre do lado do mais popular ,
sendo que o braço torce sempre que há uma dissemelhança,
com o que é básico no homem e faz ponte, com o seu
bom senso primário e ordinário.
Sopram ventos de mudança, mas o Homem não está
preparado para a revelação de novos critérios de tão
fundamentalistas e convencionais que se tornaram.
Ao Homem exige-se ouvir e passar a palavra inteligente
e comprometedora ao seu receptor atencioso e
abrangente com a música mística do ressoar da voz.
Todo o mal reside a partir do momento em que o Homem
deixou de viver em comunidade e passar seus costumes
ancestrais, em que havia um respeitoso consentimento
pela sabedoria dos mais velhos, aos chamados anciões
guardas da palavra transcrita e honrosa.
Já não há jovens para escutarem os seus lideres culturais
de maneira que a palavra não progride crescendo livre e
sumptuosamente, morre à nascença prematuramente e
de forma dolorosa para toda a humanidade.
Cada vez se dá menos atenção à forma como se escreve,
quem faz da escrita sua obra e poeticamente falando
a poesia virou um traste em que se tem de pedir o obsequio
para escrever de forma digna e respeitosa, para com os
seus leitores. Mas os leitores têm a sua quota-parte de culpa
quando ao lerem detectam um erro e não o comunicam ao
seu autor. A internet virou uma bagunça e os erros são
costumeiros, entretendo-se as pessoas com as lindas formatações
que vêm sempre a par das poesias, estas são feitas para a
vista e muito menos para o seu consumo interno e intelectual.

PRINCÍPIOS BÁSICOS

Qualquer coisa maior que a humildade de cada um
soa a luta sem crendice pelo meio que o homem é
mais que culto e que estátuas de ouro fundido.
Soa a falso todo o culto partindo do seu princípio
aglomerante e perverso que ele acarreta desde logo.
Enfim somos humanos perante a nossa fatalidade
e convenhamos que a arrogância faz parte dos que não
se incluem neste preceito malfadado e incoerente.
Porque se parte do princípio que o homem é feito
à imagem de Deus e tão só por isso é perfeito.
Não só por isso mas também por isso o homem é
pouco humilde como referi acima e alimenta um ego
maior que o seu defeito principal, a não tolerância
perante a diferença e a dissemelhança aguda
de cada um de nós diferentes e iguais na sua humanidade.

CHAMPANHE ESTRAGADO COMO EU

Hoje abri uma garrafa de champanhe bem preservada
quando me dei conta que não tenho nada aqui
para comemorar. A minha vida vivo-a por
arrasto e com muito esforço alcanço os
meus fins, que principiam sempre por algum
lado, lado esse onde eu não me encontro
bastas vezes, sou o próprio reverso de mim
mesmo e não vale a pena as minhas justificativas
para merecer o ar que respiro….
por pressuposto sou um pária da sociedade
já que meus poemas morrem logo no seu inicio
e por mais que eu queira não levam pão à boca
de ninguém, quer chore de inanição, quer de outros
maltratos que uma criança não devia estar exposta…
grito sim eu grito, não me ouvem gritar a dor que
me vai no peito? O que é feito de vocês poetas e
escritores que se tornaram omissos pela palavra?
Crianças ranhosas esbugalham os olhos ao ver-me
não pronunciam palavra que o choro morreu-lhes
na garganta não acicatada… mas eu ínsito à revolta
vós que sois poetas têm obrigações, não vale a pena
escarrar na parede e ver a miséria sem fazer nada.
Contra o focinho da palavra minhas veias se expõem
minha garganta incha com a dor e o verso que ficou
atravessado na dita cuja que apresenta tons vermelhos
pelo esforço de gritar ao mundo que isto é um fratricídio
com o qual temos de lidar pés firmes na terra, somos
todos culpados e até o champanhe estava estragado.
Sou um vagabundo percorrendo as areias do deserto
minha voz não tem precursor e isto vai de mal a pior.
Masturbadores passivos sóis vós, que escrevem sobre o amor
sem o doar a ninguém, preferível ser transgressor e
acicatar tudo isto, desde o coto até ao membro decepado.
Dou-me conta que as pessoas não querem saber da fome
dessas crianças, limpando o ranho ao pulso, para parecerem
mais decentes, escreva-se um poema sobre o amor e é
garantia de que será lido, escreva-se uma prosa social e ninguém
quer saber do que lá vem escrito, nem se dão ao trabalho de abrir
o trabalho do poeta e escritor. Conto pelos dedos as pessoas
que abrem um poema social para o lerem com olhos de ver
e pronunciar-se acerca de… enquanto escrevo esta prosa
dezenas de crianças morreram sob nutridas e por falta de
medicamentos, que no primeiro mundo há aos montes.
Hoje abri uma garrafa de champanhe e não tenho nada para
comemorar, apenas chorar e me culpabilizar ante os factos.

NÃO É MULHER COMO TU QUEM QUER

Quando passas por mim mulher
tuas fragrâncias são de água e de leite
e eu pensando passo porque ela quer
para meu conforto e deleite.

Não é mulher como tu quem quer
tem de ser pura como o azeite
que alumia uma noite qualquer
e espera de mim que eu a aceite.

Passas fogosa cetim bem acetinado
flor no cabelo bem aperaltado
que me seduz como sói seduzir.

Coras ao meu galanteio, pés descalços
vais para a fonte sem percalços
e brincas comigo só porque ousei sorrir.

TRAVO AMARGO

Cigarro após cigarro travo o
fundo amargo do tabaco.

Cinzeiro cheio diz de minha
ânsia sem precedentes.

E o sabor do café morre
maduro no meu palato.

Por certo procuro algum
bem estar, que não vem.

Na rua as pessoas passam
indiferentes a tudo isto

e eu me conformo diante
do espelho obtuso.

Não é o que eu queria mas
é o que tenho e vejo-me

limitado ao sonho precoce
que nunca é como eu desejo.

Acendo outro cigarro e bebo
um gole de café frio entretanto.

Tento fazer um poema mas
as palavras fogem-me

e eu não consigo seguir seu
raciocínio lógico e prudente.

É certo que este calor que
resolveu aparecer

não veio fora de horas e eu
que detesto o cheiro do suor.

Sou prepotente quando
penso que isto só acontece a mim.

Mas eu não queria nem um único
cigarro, que me mata lentamente.

Sou sobrevivente e não deixo
meu destino por mãos alheias.

Vou-me embora a poesia já
disse o que queria.

Só eu não sei se disse o que
gostaria de ter dito.

Enfim eu não sou perfeito
terão de se haver com o que escrevi.

INCOMPLETO

Por mais que a vida não me sorria
arranje pretextos para o meu mal
Sempre uma réstia de esperança
floresce como folhas húmidas.

Crescendo em mim está o amor de
minha amada minha musa de toda
a hora, nos silêncios ressarcidos
no focinho da palavra que não cala.

É a ela que vou buscar as forças de
que não disponho mas humildemente
me entrego ao seu cuidado como
quem não tem mais estrada para andar.

Estamos tão longe um do outro amor
mas o significado dessa palavra está
connosco a toda a hora e eu atravesso
o profundo oceano para estar contigo.

Se te dissesse que não tenho olhos para
mais ninguém essa seria a verdade a ser
conciliada com o cuidado que nutrimos
um pelo outro logo desde o seu inicio.

Pela alvorada vejo teus olhos cor de mel
e as minhas dores parecem desaparecer
num outro corpo meu paralelo a este que
me desafia a encarar a dor de frente.

Só tu és a minha luz, meu lampião que
ilumina até a rua mais escura, onde os
gatos costumam ser pardos e esquivos
roçando muros, trazendo a sombra consigo.

Meu amor o que eu sofro é demais para
um humano mas quando estou contigo
todas as flores crescem e sorriem como
nunca o sol teve a simpatia de sorrir para mim.

Sou teu com todos os defeitos inerentes
assim como aceito a nossa dicotomia
que nos faz dois em um na mestria
que o Universo há muito nos reservou.

DÓI-ME A DOR DE QUEM SOFRE

Dói-me as crianças sem futuro
dói-me as mães que não têm
leite para seus bebés
dói-me os maltratos cometidos
contra a macia infância das
crianças
dói-me a exploração desses
meninos e meninas obrigadas
a trabalhar de sol a sol
dói-me seu choro calado
para não se denunciarem dói-me.

Dói-me que espanquem mulheres
para mostrar um machismo irracional
dói-me que não sejam protegidas
e que sejam acossadas como
animais
dói-me as dores que elas suportam
e se calam num silêncio de medo
dói-me que vão à polícia e
que estes ainda as culpem como
oferecidas e provocadoras
quando o que querem é serem cuidadas.

Dói-me os animais abandonados
sem terem voz para pedir ajuda
dói-me que os vilipendiem
e que os assassinem em sacos
jogados ao rio mal acabam de nascer
dói-me que passem fome e que
andem na rua cheios de cicatrizes
de maus tratos impostos
por quem não tem condições
para ter um animal consigo
tal a brutalidade de seu ser ordinário.

Dói-me esta dor que é mais dor
no coração que no peito
dói-me não poder fazer nada
e sentir-me desleal para quem precisa
de carinho quando eu não posso doar
dói-me a carência e a droga
mais o álcool que se propaga
dói-me os políticos omissos
que querem o poder a todo custo
e não pensam no povo que sofre
as agruras do mau génio desta raça.

Dói-me tudo e sofro por antecipação.

BANHANDO-TE NO MAR

Teus lábios salgados nos meus
deixam o leve toque da maresia
e as conchas se espraiam
pela a areia das dunas acima.

Teu doce mistério vem com as
ondas do mar, galgos de espuma
que correm por ti, como a leve
brisa da praia onde te encontras.

Algas vêm dar à praia em tons
verdes e depositam suas cores
no teu cabelo minha musa
escutando o som dos búzios.

Podes assim escutar as ondas do
mar longínquo, mas que está
perto de ti conquanto tu o chamas
à tua presença e adormeces na areia.

Teu corpo assim descansado e
exposto ao sol tem matizes de oiro
e eu sacudo a água do cabelo
e te beijo contigo adormecida.

Minha musa acorda sorrindo
e pede que o mar a banhe nua
bem assim como veio ao mundo
para lhe tomar providências.

QUANDO UM HOMEM AMA UMA MULHER

Quando um homem ama a uma mulher,
Não há no mundo outra, ou alguém,
A quem ele cobice um olhar sequer,
Senão a essa outra de mais ninguém.

Quando um homem ama a uma mulher,
Sabe o que quer e o que quer não sabe bem,
Ou se a noite vem, ou se o dia quer,
Se faz frio lá fora ou se dentro está alguém.

É um viver constantemente alternado,
É um bem querer, de querer bem,
E sente-se assim, como que apaixonado.

Doce rapazinho de bola na mão,
Enxugando lágrimas no colo de sua mãe,
E a perguntar-lhe das coisas do coração.

NOSSO AMOR AQUI

Acordo para a manhã com
o sol-posto nos olhos e tua
doce carícia nos meu lábios
doces pelo teu hálito fresco.

Estou sozinho na cama há
muito te levantaste e foste
porte à janela, ouvir o cantar
e o chilrear dos pássaros.

Lavo os olhos e levanto-me
e meus passos me conduzem
até ti dependurada na janela
granjeando o sol da manhã.

Dou-te um beijo de bom dia
e tu acedes carinhosamente
abraçando-me peito com peito
coração com o meu coração.

Debruço-me à janela contigo
e ficamos a apreciar o jardim
que cresce grandiosamente
no terreno cuidado por nós.

Sorrimos um para o outro
como se a vida nos quisesse
conceder o seu belo prazer
de estarmos vivos como a flor

que se agiganta ao sol matutino
e procura a graça do astro rei
para nosso deleite e entusiasmo
uma flor tão frágil faz-se forte.

Depois de respirarmos o ar puro
da manhã, com olhos de bem
despertar voltamos para dentro
e nos deitamos no aconchego

da cama e nos lençóis desleixados
fazemos amor enquanto o sol
entra pelo quarto adentro
iluminando nossos seres enamorados.

A manhã traz-nos recordações
de outros tempos e nós ficamos
a lembrar como é bom o presente
olvidando o passado que não volta.

PRESO NO MEU CORPO

Preso de movimentos
vejo meu corpo obsoleto
sem reacção nem ânimo
qualquer tipo de interacção.

Tenho o secreto desejo
que tudo ainda possa mudar
mas os indícios não são
favoráveis a essa mudança.

Sofro as dores no corpo
e não tenho nada que me
valha para mudar esta
situação assaz atroz.

Não dá para entender este
organismo que rejeita tudo
mesmo o que lhe é essencial
deixando-me quedo e mudo.

Não tenho mais onde recorrer
já esgotei todas as valias
e meu corpo ressente-se
de tão infame má sorte.

Perdi a alegria e nada me
contém na brusca revolta
de tudo o que se passa
e me deixa atónito de surpresa.

Acabou-se estou destinado
a sofrer as ânsias e as dores
que meu corpo em sofreguidão
sofre por arrasto sentido.

Melhor fora desaparecer
e acordar outro homem
que estivesse em sincronia
com meu organismo vil.

Estou só novamente
sem remédios para a minha
cura que não tem fim nem
principio só a ausência de nada.

Noite de amor

Descubro seu corpo molhado
sob um lençol estendido,
apenas a luz no canto do quarto
a espera dos perfumes que exalam,
pequenos gemidos são contidos aos beijos,
nossos, cada um que renasce a cada gozo.


A lua atrevida passa por trás da janela,
a solidão sente inveja e foge,
louca noite de amor que se inicia,
quando corro seu corpo invadindo
dentro e fora,
envolvendo-a do melhor e todo prazer.


O sol teima amanhecer entre frestas,
as luzes não se apagam, as nossas,
iluminados continuamos amantes,
a palavra morre no beijo de bom-dia,
um pequeno sinal e recomeçamos,
outro dia, outra noite, o mesmo amor.

Noutra noite

Amor é a palavra que escrevo
quando estou no seu nu,
frases que juntam os corpos
nas noites que fazemos amor.


Quando voltar ao seu sexo,
não vou, nem preciso pedir,
deixa-me correr as entradas,
tenho permissão e outro sim-s.


Quero muitas palavras curtas,
gemidos um tanto mais loucos,
com sabores que a acendem,
para que eu apague a chama.


O tempo passa e a noite acaba,
quero continuar escondido,
reunindo cada pedaço seu
ao acaso, a cada pedaço meu.


Quando voltar em um outro dia,
diz meu nome, se preferir pode gritar,
chama para lembrar o amor que dou,
sou aquele que ama e sonha junto.