segunda-feira, 19 de julho de 2010

EU SOU

Não sou de ninguém
e sou de alguém que
me quer bem assim
com eu sou para esse

Alguém, que me quer
como eu sou sem ninguém
a contrapor a minha
dádiva para com alguém.

Sou muito mais que isto
Sou pluralismo e sintaxe
do que tenho para dar
sendo alguém para o outro.

PRETÉRITO MAIS QUE PERFEITO

O mundo anda às avessas
com todos a devotar os
os louros da promessa que
que ficou assaz por cumprir.

Ninguém se preocupa com
ninguém e a voz mata na
garganta o pluralismo visceral
de acordo com a sua omissão.

O desacordo triunfa no vão
de escadas onde a democracia
é posta em causa pelo meu
amigo anarquista que não se

Conteve. Um rio de platina
desemboca no seu ancoradouro
levando o génesis dos tempos
com a prefixasse do tempo

Imemorial. Esconjuro todos
os predicados, pois os mesmos
se desconjugam e morrem
no pretérito mais que perfeito.

O SOL REVERBERA

O sol reverbera intensamente
o rio corre para onde lhe levam
as águas, nasce a manhã vinda
do róscido da madrugada.



Teus lábios têm sonhos que eu
não nego, águas frescas da fonte
onde eu mato a minha sede
teus pés descalços por sobre a erva.



Vestes escarlate com fita de cetim
teus seios são estes montes onde
me perco e encontro, no silêncio
da palavra que nos reveste a ouro.



Teus olhos são um sorriso inteiro
que esparges por onde caminhas
e deles caem gotículas de chuva
como numa beleza sem par.



E na boca doces romãs maturam
ao sol da primavera, dando-me o
doce suco de um beijo roubado
sem que o olvido se faça esperar.



Cai a tarde de teus cabelos bem
talhados pelas tuas mãos e neles
trazes presa a cidade que vais
soltando conforme caminhas.



Teu doce despertar traz o amanhecer
preso por fios, que tu comandas a
teu belo prazer, urdindo colchas
e tapetes que tu vais pôr à janela.

NECESSITO-TE MUSA

Meu silêncio é o teu silêncio…
nele me calo porque não caibo
mais em tuas ilusões e esperanças…
o rio transborda lágrimas que guardo
junto ao coração e me esqueço.

Que bom seria os tempos de
antigamente, em que partilhávamos
sonhos e querenças… hoje morro
um pouco mais e sozinho
enfrento a solidão que me reveza.

Minha verdade aqui dita já não é
a tua, hoje me contestas e falha
a palavra amor e solidariedade…
sou feito de verso que não esconde
a sensatez do diálogo comum.

Bem sei que antes morto que calar –
este é o meu diapasão a levar
pela vida fora! Vem musa, fica comigo,
e entrega tua alma à minha alma,
que se engrandece pela tua permanência.

A LUA REBRILHA

A lua rebrilha bordando
a orla do rio a prata e ouro
e meus olhos procuram o
fulgor da noite que clareia
nas águas tremeluzentes do mar.

Sinto-me cheio de energia
positiva e o legado da lua
faz-me ver com maior clareza
a noite que vai por mim como
cavalos no meu peito.

Sinto-me embriagado por sua
luz que edifica e torna-me maior
a horizonte, lá onde desponta a lua
detrás do círculo do céu
e mergulha no rio condescendente.

E eu amei...

E eu amei...
Dar meu sabor como de vinho velho,
com o perfume da minha essência,
em um corpo que gosta de prazer
e eu a te satisfazer.


E eu amei...
Tua pele quente aveludada,
com entradas úmidas e provocantes,
lambuzadas de mim,
sem parar, sem querer parar.


E eu amei...
Repetir cada gozo de ti,
gulosa e um tanto louca,
da minha sede de homem,
degustando cada gota,
cada pedaço do prazer que dou.

E amou...

Amou, é o que ela está imaginando?
Tenho que me acostumar a distancia,
um passo e me embriago de saudade.


Não quero esquecê-la, não nesta vida,
preciso de todos os dias de felicidade,
ver seus olhos como se pela primeira vez.


Alguém quisera um dia sonhar de amor,
mover o mundo para um lugar maior,
ter um instante com ela, aquela do sonho.


Eu sinto que também pensa em mim,
neste alguém, que ama, que sente falta,
viu seus olhos por uma vez, a primeira vez.

E amou...

A mais bela

Ela é mais bela mulher deste mundo,
para alguns olhos a enfeitar,
para outros; nenhum homem a tentar,
para mim é bem-querida amante.


Nem sempre entendemos o amor,
as imagens ficam formosas
nas suas curvas roliças provocantes,
o melhor de nós homens a apreciá-las.


No que devemos cogitar em apaixonar,
pela bem-querida amante-mulher,
que meu amor a seduza, por tudo
e pelo prazer feito bem no coração.


Adorar a mulher não custa, se me deixa,
no próximo passo vou ser querido,
que não me esqueças pelo menos agora,
não depois daquela tarde que partiu.


E deixou em mim, pedaços seus e amor,
prefiro lembrar apenas dos beijos e doces,
no rosto a ver os desejos combatendo o pudor,
cobertos pela minha armadura rija e inteira.

Fazer amor

Como não fosse de minha amada,
desfruto da imagem impura,
da mulher junto de ti sentada.


Doces palavras que escuta,
fazem gozo do sorrir,
quando o som vai a alma,
em mim faz um labirinto se abrir.


Nas veias o fogo corre,
corpo acima, abaixo o epicentro,
pedaço rijo foge,
sem falar de amor o corpo adentro.


Respiro o mesmo ar que sai da boca,
no beijo doce que fica,
arrisco deslizar entradas e saídas,
com o prazer que cresce e tonifica.


Toca minhas partes, todas tuas,
esconda-me no teu corpo doador,
que entrelacem os cabelos,
as pernas, nos sem jeitos do amor.


Falo de amor mais perto do meu peito,
e agora, bem amada, minha deusa,
como fazemos depois do amor eleito.

Viajantes

Algumas nuvens passam pela vida
e não mais enxergamos estrelas,
é passageiro quando alguém acende
uma paixão em vermelhos,
asas, fantasias e corpos começam a girar.


Existe sim um céu, um deus viajante,
é como se faz à vida dentro de ti,
onde o amanhã se mistura a outro,
aos êxtases de amantes impuros,
pecados e pecadores deste tempo.


A noite prossegue vida afora,
o prazer é com uma cama macia,
às vezes falta, às vezes sobra,
como a chuva que cai continuado,
como eu, ela e o amor, viajantes.

Madrugada

Não era só uma madrugada,
nem um até breve com saudade,
mas um carinho no meio da cama
e um sorriso aberto no canto da boca.


Quando amanhecer ainda sentirei
as batidas do seu coração no meu,
não é apenas uma necessidade,
o amor está quieto e não pode dormir.


Deixa que o prazer tome seu corpo,
não se afaste dos nossos sonhos,
apresse em saber do meu amor
que bate a sua porta pra te amar.


A vida é feita de grandes recomeços,
caminho cada pedaço e volto,
às vezes preciso retomar e começar,
sem temer, sem medo de me perder.


Deixe-se amanhecer no meu amor,
fazendo do meu corpo seu universo,
em paz, comungando alma a alma,
com rumo incerto do amor que ama.

A roupa

Vista-te, vá embora de uma vez,
solta meus abraços do teu corpo,
enrola-ti em tuas vestes protetoras.


Não pedirei que me agasalhe,
meu nu tem fogo de desejo,
teu frio é prazer que necessita de vestes.


Não volte teus olhos aos meus,
cubra-te de vontades, mas siga,
vista-te de alma até que aqueça teu sexo.


Deixa sobre a cama a roupa molhada de desejo,
do teu gozo virgem de amor,
do sem cor, sem cumplicidade, sem paz.


A nudez também te despe à carne,
não são roupas penduradas que fazem amor,
nem o ouro que te cobre, nem o brilho que te aquece.


Espalhe teus pedidos pelos caminhos que segue,
acalma tua nudez, não te ofereça,
quando acordar, antes, te vista de uma alma amante.

Fique

Chore junto comigo...
mas fique,
sorria muito ou nada...
mas fique,
sigamos em frente
me dê a tua mão...
mas fique,
venha caminhar
saltar das fantasias...
mas fique,
venha sonhar acordado
ou fazer nova a realidade...
mas...fique.


Tua distância é nada,
na medida do horizonte
estamos a uma lua e um sol,
nossos corações...
a um beijo,
a nossa paixão...
a um toque,
os nossos carinhos...
a um olhar,
o nosso amor...
Já chegou em nós.

Foi assim quase sem querer

Foi assim quase sem querer

que beijei sua boca

naquele dia que acordei sentimental.





Foi assim quase sem querer

que meus pensamentos tinham você

e nada mais teve final.





Foi assim quase sem querer

que acordei pra minha vida

e soube que é errado parar.





Foi assim quase sem querer

que dividimos um beijo,

ainda bem, de roubo não pode acusar.





Foi assim quase sem querer

que ouvi algumas verdades do amor,

que ninguém ama igual sem tentar.





Foi assim quase sem querer

que confessei apaixonado

e até agora nem sei explicar.





Foi assim quase sem querer

que estamos vivendo cada hoje,

sem o ontem, sem nada faltar.





Não foi assim quase sem querer

que parei minhas caminhadas

só pra te amar

A razão do amor

Quero ser parte do teu corpo,
da roupa que te veste,
do brilho que te da luz,
da tua alma que me ama.


Que jamais fira teu sentimento,
quem te ama, como eu a ti,
insensivel como a realidade,
livre como o vento da noite.


Sim, e verdade que existimos,
preciso acreditar na tua paixao,
nos abracos, nos beijos,
no presente de viver ate a noite.


Despreza os nao(s), os depois,
recolho meus pedacos de antes,
nego-me partir sem teu amor,
a luta que enfrento, e a que amo.


Jamais, por nada pediremos perdao,
levaremos cada um teu coracao,
se um dia falhar o amor,
se um dia morrer o nosso amor.

Alegria triste

Sou alegre ou triste?...

A minha alegria voa por aí,
não sei ao certo se outros têm prazer,
quando a quero, estou triste,
se estou feliz, não sei o que fazer.

Se sou um alegre triste,
falta da alma eu desistir,
na verdade nem sei,
como quem ando, com quem partir.

Olhem aqui um alegre triste?
Quem sabe o amor não mente
lutei por tudo e ninguém me vê,
nem enxerga minha alegria diferente.

Se alegre ou triste,
não é o fim,
se me quer,
que me queiram assim...

Amor de amor

Só o amor merece amor,

passo sem compasso,

descompasso no ato,

ato de querer ficar

pra você e você pra mim.





Se quiser sonhar, acorda o corpo,

venha e venha logo,

quando falar meu nome,

olha de lado se estou perto,

quem sabe já dono de tudo.





Quero carinho de lado a lado,

eu de cá olhando de lá,

você em todo meu mundo,

cantado baixinho no ouvido,

como amo e só amo pra você.





Amor de amor merece o céu,

é magia que corre e arrepia,

tange sangue como vento,

corre as veias do corpo abaixo,

morre amor que não morre dor.

Espírito de vida

Meu espírito pede vida,
caminho laços e abraços de meu Deus,
um tanto longe, vezes incrédulo,
sinto-me abandonado da sua proteção.


Preciso crer nos meus céus,
construir paraísos com minhas palavras,
acreditar no outro de coração puro,
quando me perco, oro, cada frase decorada.


Quero ser perdoado e aprender a perdoar,
cada dia, cada mágoa,
lavando minha alma impura de amor,
do que me dou, do que recebo.


Volto meus olhos ao superior,
carrego nas preces em voz alta,
a força que preciso não está no grito,
se devo continuar, não sei até quando.


Aprendo a cada muro que derrubo,
a cada gole d'agua que recebo,
jamais esquecendo que sou humano,
aprendiz de Deus e de todo homem.


Vez ou outra blasfemo contra Ele,
em minha direção somente paz,
não quero ser criança, nem guerreiro,
o covarde promete, o crente cala.


Meu espírito aos poucos adormece,
preciso da paz que me fez e faz caminhar,
quando o sol apagar dos olhos,
voltarei outro corpo, noutra encarnação.

Um homem, uma mulher!

Não sou novo, nem velho,
pequeno ou grande,
também não tenho nome,
mas a altura e a idade
daquela que ama
e me chama de teu amor.


Eu era apenas uma vontade,
ainda que agasalhado,
o peito tremia, o frio era intenso,
era vento forte como a solidão,
nenhuma voz ou outro corpo,
somente um homem vazio.


Brotou algumas raízes no olhar,
ela chegou firme com o sentimento,
atravessou o meu peito,
instalou-se no meio,
nada disse, nada pediu,
amou e permaneceu em mim.