Mostrar mensagens com a etiqueta Poeta Londrino. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poeta Londrino. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

AVENTURA DE TE AMAR

Aventura de te amar como louca ventania

Insistência de sonhar submersos paraísos
Onde tudo se faz desterrada nostalgia
Na crueldade lógica de imutáveis juízos

Que as estrelas se arrefeçam em pranto
Que os anjos proclamem delicados versos
Que o teu sonhar silente entoe sereno canto

Para nós existirá o emergir do universo
Abraçando a imensidão de um sentimento
Puro e perene a emoldurar o firmamento

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

ADORAÇÃO

Eu não sabia, e nunca soube do encanto,
o ritual de aromas antevendo o delírio,
as formas brilhantes como um colírio
cegando os olhos em êxtase e quebranto.


Eu não sabia, e não cumpri qualquer regra,
a breve temporada de um coração
em lírios e livres campos de adoração
excedendo a fertilidade e a entrega.


Valeu a pena do recato e da miragem
encarcerando o beijo na paisagem
dos meus lábios num sonho agreste.


Valeu o agridoce sabor que me deste
de uma lembrança veloz e despercebida,
ainda agora, a tantos atos e sobrevida.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

HOMEM

Responder em pele e calafrio
à visão marcada da existência,
e aqui dentro vai a desessência
restante da inversão do cio.


Fugir embalde à ímpia vigilância,
o rijo punho das certezas e ditames,
punição e forra ao jugo dos certames
repetindo gerações em jactância.


Mascar a repulsa no silêncio dos dentes
salivando ao corpo o seu próprio degredo,
encenar agora o esperado enredo
no palco clarividente das seletas mentes.


Ser homem, mais então que anuir à vida,
estar presente ante ao sorriso engodo,
ver o pranto possível descer ao esgoto
e curvar-se à felicidade consentida.

sábado, 16 de agosto de 2008

FORMA DE AMOR

forme-se a melhor forma
conforme a exata enformação
de forma que a precisa formatação
reforme a aparência disforme

agora nesta formação uniforme
vai conformar-se a fôrma
que define a beleza formidável
na forma que aos olhos conforme

de forma alguma nesta conformação
haverá forma de outra deformação
certo é que nenhuma desenformação
reconformará a desejável forma

enfim descanse a formação confortante
neste aparato que então se formaliza
fôrmas reunidas na perfeita forma
para sempre conformadas na infinita reformação

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

PERDOA-ME

Perdoa-me se me perdi na multidão
e me confundi com a tua alegria,
se meu sorriso, disfarçando segredos,
imprudente acolheu a tua fantasia.

Perdoa-me o carinho indefinido,
a vaga imagem de um amor errante
aninhado em teu meigo coração,
como ave que seguiria adiante.

Amor feito dos aromas do vento
e dos sabores marcantes do tempo,
que de paixão serena se fez rebeldia.

Perdoa-me, se ainda guardares a lembrança
das flores magoadas da tua esperança
entre as folhas nunca lidas da tua poesia.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

NOSTALGIA

Sempre te ouvi, sorridente poetisa,
e intrigado assimilei o teu canto
ao caminhar dúbio de minha vida,
ritmando cada fase do meu pranto.

Edifiquei frágeis castelos ao vento
para a morada de insanos anseios,
buscando então o consolo e o alento
que me levassem o ardor de tantos receios.

Por noites e dias em que atravessei
minha própria alma entre dores e alegria,
digo-te agora, poetisa, que fracassei...

Emudecerá também minha voz de poeta,
deitando à eternidade a nostalgia
de uma vida... que nunca foi completa.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

TÂNTALOS LUNARES

por ti eu percorri tantos mares,
e mais que provera forças tantas

tanto amor, despenhei dos sonhares

em tântalos lunares de esperança



seria o teu canto que fugia

na algesia que cada amanhecer

concedia à alma quando esvaía

êxtases na harmonia do esvaecer



estanco numa terra devoluta

de sentido o rescaldo de uma

lide que ousou a eternidade



sempiterno o luar a veleidade

atesta de uma colheita infinita

posta à sombra de uma desdita

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

PERPLEXO

Nada! Absolutamente nada
tanto agora eu pudesse ser,
tanto nada pudesse então parecer
ante ao que tanto me enfada.


Farto! Completamente farto
de provar o quanto sou,
tanto vale como estou
ante ao tudo que descarto.


Bravo! Bravíssimo o impulso
suicida calando o percurso,
falatórios que se partem ao reflexo.


Silêncio! Calo-me perplexo
ante ao tudo que abona o nada,
aplaudo a obra engalanada.

domingo, 12 de agosto de 2007

AUTO-RETRATO

cumpra-se a sanha severa das palavras
cada gesto que me imole e derreie
mais a podridão exposta das lavras
de tudo quanto se esculpa e semeie

dissipe em ventania o meu pensamento
cada ideia que ousou o sentido da terra
mais o córrego célere dos tormentos
conjurando a inundação da nova era

iluminem-se céus em minha demanda
e que o tempo demarque longa a ciranda
imponderável das próprias espirais

resista a memória ao penhor dos madrigais
quando já as mãos, argila e desenho,
contemplam sonhares, abandono e cenho

terça-feira, 7 de agosto de 2007

JAMBO

Antes que esta tortura rapace
me traia o senso em desaplumo,
leva de mim os teus olhos de fumo
sugerindo o mel do insano enlace.


Antes que teu corpo em jambo
me enrede desejo e textura,
termino em tragédia tal loucura
cerrando em silêncio o mundano canto.


Serão os meus dias qual aguardente
que me enleva imprudente
à fonte retida em cálice ancestral.


Ou cesse agora o madrigal
ante o beijo partindo em vertigem
a redoma de um delírio virgem.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Sementes

desfaleço no limiar do desalento
se a memória mergulha num arquejo
e evade das muralhas e tormentos
este sonho em que agora adormeço
retorno ao senso primordial,a delicadeza de um impulso
que então revela magistrala sublimação do meu percurso
desvendo sementes da eternidade
exumadas na harmonia e eqüidade
da paz em que agora me aconchego...
a candura iluminada de um segredo,
ruflares enfim do teu sonhar sereno
em que me descubro neste instante pleno