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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Mar da vida

O MAR

belo mar selvagem das nossas praias solitárias. Tigre!

como cantou o poeta santista Vicente de Carvalho, como lembrou de Portugal Fernando Pessoa, "Deus ao mar o perigo e o abismo deu... com a ressalva, mas nele é que espelhou o céu" e como alinhavou meu pai "nos costões o mar batendo ... à tardinha e nessa hora.., para o poeta parecia estava dizendo, da sua terra Itanhaém, ...seu nome a Nossa Senhora.

"O mar espelho de gaivotas, como versejou meu irmão, que na tempestade registram, sob a amplidão, a fome de liberdade que eu trago no coração".



Ah! essa mar que me atrai

com seus rompantes tempestuosos,

com suas ondas de arrebentação nas dunas

de areias das praias desta vida,

para depois deslizarem como beijos

e carícias de amor feitas de espuma.



Ah! esse mar da minha Santos

que rondou minha infância,

que celebrou minha irrequieta,

como ele, juventude,

que na maturidade veio acompanhado

das marés dos desenganos,

e agora, na velhice, canta, sereno

na sua imensidão, profundo

e eu o exalto e não o estranho

ainda que possa ser um oceano de perdas

um mar profano!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Já Chegou

Chegou faz um tempo adentrando comigo a porta da vida,
escancarou seu amor e do meu se apossou nessa lida
não contida do seu enlaçar-me em carícias, afagos e beijos
de atenções , de cuidados , de seus delicados lampejos.

Já chegou quem desenhou na min´alma seu emblema
de colorida cor da paixão, e juntos montamos a cena,
vencemos tropeços saltando esquecidos do texto,
sem disfarces , sem enganos, sem falso pretexto.

Já encontrei quem fechou a porta de dia sofrido,
quem mirou tornar o desamor da traição banido,
quem buscou comigo traçar e abraçar sempre o sonho,
de quem nunca ouvi palavra ou verso a impor abandono.

Já chegou faz um tempo o sorriso meu abrigo tornado,
caravela de velas que vibram com um vento tão leve,
quem afaga minha face, do sentir que nunca prescreve,
porto seguro, bandeira de calmo mar de amor navegado.

Já manteve mil afagos desse prazer desvendado
por sábios mistérios , doces critérios na calada da noite,
com mãos que tocam as dores e me fazem a corte,
amor esse desperto que não procurei e foi encontrado!

Já faz tempo de muitos planos, há vários anos sucede,
e são tantos que até já perdi, distraída, a conta,
importa que já atravessou a porta da noite e eu peço, ele pede
continua comigo, nesse amor lindo que ainda brilha e desponta!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Quero-quero

Estou aqui...e espero,
não desespero,
porque aprendi a esperar,
a vida me ensinou
que devo sempre aguardar,
que é assim mesmo
um lero-lero.

E então fui aprendendo
a ser um pássaro arisco,
um destempero,
sem entrevero,
mas assim
na mata solto,
vigilante,
lenha a dizer
venha para a queima,
no fogo em que estou,
e nem sei se rimou,
o que sei é que
de tanto que espero,
nem mais nego,
eu só aprendi mesmo ser
um atento quero-quero!

domingo, 17 de agosto de 2008

PARA A LIRA DO MAR E DO AMOR

Perde o mar seu cantor,
Perde a lira seu vetor,
Perde a música brasileira,
Perde a canção mais faceira
Perde da sua voz o calor
Perde um especial alguém,
aquele, como ninguém,
que soube cantar o amor...
Perdem e só doída tristeza
quem chega pra anunciar,
nas ondas do mar remanso
por ordem do seu Yorubá,
Caymmi já canta descanso
no colo de Yemanjá.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

MEU PAI A Presença Constante

Foram poucos anos que eu vivi com ele,
apenas até os meus juvenis treze,
mas foram tão intensos, tão profundos
e sinto que, vivendo, descobri o mundo.

Era alto, esbelto e elegante,
trajava sempre o seu talhado terno,
camisas brancas, gravata combinando,
assim se despedia de nós e ia para o trabalho.

A religiosidade era na vida a seta que indicava
a nós, seus filhos, o caminho dos passos a trilhar,
a fraternidade e o respeito ao próximo,
esses os princípios que o seu viver pautava.

Era severo e nos cobrava, com rigor,
empenho nos estudos,
pois definia como a melhor herança a deixar,
aquela forjada no esforço próprio como escudo.

Venceu na vida assim, com o trabalho duro,
arrimo de família completou apenas o primário,
mas nem por isso abandonou o gosto à leitura,
autodidata escreveu um livro, plantou árvores
e formou, até quando pôde, os filhos.

Era um poeta e versejou seus versos
cantando a sua terra, seu amor à mulher-
amada, amante e companheira-
a dedicação aos filhos sempre em nexo
com seu fervor cristão, e o amor à natureza.

Amante da boa música ele se transmudava
quando à noitinha, chegando em casa,
depois do jantar, em torno da mesa,
reunia os filhos formando a bandinha,

um era o clarinete
revezando-se como violonista,
outro o flautista,
eu a pianista, ele o bombardão,

e no intervalo da orquestração,
soltava o chiste para a cantora:
"essa austríaca desafina mais
do que inhambu na cria"
e todo mundo ria...era só folia...

Suas viagens, de todo fim de semana,
nos levavam e conduziam à magia
do trem madrugador da Sorocabana,
para Itanhaém sua terra, sua esperança,

e lá então voltava a ser criança,
e eu o acompanhava em toda romaria -
fieira de peixe-galo, marisco, ostra lá na ilha,
ou bagre, canoa rio acima - essa a pescaria,

depois do almoço, do peixe frito
no fogão à lenha,
degustado e acompanhado da manema,
era no quintal a nossa lida,
recolher folhas secas, arrancar tiriricas
até à exaustão...e fim da tarde,
todo o entulho juntado num montinho
ardia o fogueirão, estava escrito,
fazer fumaça pra espantar mosquito.

Ah! para versejar Meu Pai
preciso escrever além da conta,,
pelo tanto que a presença dele
faltou e faz falta em mim...

num sopro momentâneo ele partiu
assim, como um passarinho
alçando vôo livre,

mas sua presença, embora ausente,
ainda é e sempre será constante,
porque nos seus versos,
e agora nos meus,
ele ainda vive!

domingo, 11 de maio de 2008

Destino

o que é, de cada ser, o seu destino?

rota marcada por ente superior

religiosos bradarão...

um determinismo genético infalível

responderão os céticos



eu desconfio

apenas o trilhar, de cada qual,

o seu próprio caminho

num espaço de tempo disponível

vivendo uma vida que é possível

dotando-a de sonhos e quimeras



desviar por atalhos de tal sorte

que possa ir driblando

o encontro com a morte



e esse ocorre, eu suponho,

não é com o eterno

e derradeiro sono

mas quando o desencanto

o cobre com seu manto,

determina e o ser afirma:

Não mais sonho!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

SOLTO A VOZ

Já ardi em versos todos os meus medos,

ou quase todos que pela vida fui revendo,

indaguei qual sentimento lança o arremedo,

que me faz tropeçar com meus segredos.

Mantive os meus muito bem trancados,

e os tive assim tão bem guardados

que não percebi... viver com tanto medo,

pode tornar-se um indelével degredo.

E só então quando tremi, pude sentir,

percebi que, o detendo assim,

impus-me ao final do versejo concluir,

tristonha...eu tenho medo de mim!

E como superei a coragem perdida,

como retomei da vida a alegria

e como tento vencer esse medo atroz???

Não deixo sem amor minh´alma exaurida,

só aceito viver minha vida bem vivida,

beijo e abraço a Poesia e solto minha voz!

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

SOLTO A VOZ

Já ardi em versos todos os meus medos,

ou quase todos que pela vida fui revendo,

indaguei qual sentimento lança o arremedo,

que me faz tropeçar com meus segredos.

Mantive os meus muito bem trancados,

e os tive assim tão bem guardados

que não percebi... viver com tanto medo,

pode tornar-se um indelével degredo.

E só então quando tremi, pude sentir,

percebi que, o detendo assim,

impus-me ao final do versejo concluir,

tristonha...eu tenho medo de mim!

E como superei a coragem perdida,

como retomei da vida a alegria

e como tento vencer esse medo atroz???

Não deixo sem amor minh´alma exaurida,

só aceito viver minha vida bem vivida,

beijo e abraço a Poesia e solto minha voz!

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Tempo andejo

O tempo indagou a tempo
de se perguntar sem demora,
por que fazes assim destempo,
que dás pouco de ti à vida
e ela brada, esperneia, chora
mas vai submissa embora?

Da vida sem tempo, aprendo
que do pouco tempo que tenho,
aproveito seus bons momentos,
e com eles vou me entretendo,
a gozá-los compasso andante
sinfonia infinda... tempo andejo.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Velhos ásperos não!

Olha lá menino, quando apontas
em versos cantas a velhice feminina,
acredito que não somas tuas contas,
faz tua têmpera jazer em lira tão ferina.

Acusa tempo de vida sim, fadiga não,
mulher velha, ou menina, está latente,
disposta ao prazer de um amor quente,
sempre! cansado deve estar o cinquentão.

Compreendo, desejas envelhecer
sem mais sonhos e quimeras,
não consegues nem mesmo antever,
como Bilac, um conversar com estrelas.

Pena, oferecer ao Mestre em sátira,
o inverso do que o parnasiano dedilhou,
às mulheres-árvores pelas quais
tão delicadamente declamou, lástima...

Aprende Poeta, não sejas amargo,
não sejas áspero, não sejas indelicado,
para que sejas sempre amado!

afinal, as jovens mulheres, benditas,
não têm mais, pela idade, antigos pruridos,
aceitam homens novos e velhos combalidos!

mas é preciso o homem saber reconhecer,
todas exigem delicadeza, atenção e elegância,
o canto de dois sabiás não aceita dissonância!

domingo, 7 de outubro de 2007

Ondas de beijos

Nascer de um dia claro e alvissareiro,
o sol desponta nesse horizonte,
beijando meu mar calmo e sereno
que, em ondas de amor, responde ligeiro.

Comemora este dia mais do que outros,
dia de sol e sal em águas cristalinas,
dia de trocar em ondas beijos loucos,
paixão de carinhos que surgem em surdina.

Dia da claridade a espantar a bruma,
para saudar o sol de pé e não de bruços,
de trocar choros, lamentos e soluços,
por ondas de beijos que não são de espuma!

sábado, 15 de setembro de 2007

UM DESABAFO AI QUEM ME DERA

Ai quem dera se o tempo parasse

naquela minha idade

do esforço e da luta pelo pão

mas também da empolgação,

da vibração por uma Nação melhor...

viver neste país neste momento

de um tempo perdido,

com tantos desvios,

sinto-me assim tal qual gaivota,

asa partida e me sentindo

como estranha no meu ninho.

Ai quem me dera tivesse eu nascido

em outras plagas com povos

de outros brios,

e outros compromissos,

como os da retidão

da palavra empenhada,

da causa julgada.

Ai quem me dera a reciprocidade

da pontualidade,

e abafar de vez essa visão canhestra

que soa como desafinada orquestra,

e faz grassar mas é o lume

dessa impunidade.

Ai quem me dera esse país sonhado

e sonhando sigo,

pois apesar de tudo não consigo

eu... deixar de amá-lo.

O SILENCIO QUE RECEBO

Recebo o silêncio
da alma contrita e embebida em solidão,
amargo fel na boca esquecido e no olhar o desprezo.

Recebo o silêncio
de mantidas mãos vazias e pés descalços no frio do chão,
abandonada e, através da imensidão do nada, pouco revejo.

Recebo o silêncio
do coração cansado, trancado em grades de cruel prisão,
perde partida do trem que lhe transporta os sonhos para o além.

Recebo o silêncio
dos versos a guardar segredos de dor em completa exaustão,
mudo o amor como um derrogador que não permuta...

apenas silencia porque, também, não escuta.

sábado, 2 de junho de 2007

LUA AZULADA

Oh Lua nesta noite,
tu que foste sempre branca
ou prateada
ao se entregar enluarada,

estavas feito milhões
de pingos d´água no céu,
vindos do mar pra te tornar
mais linda...toda azulada

assim te vi do meu quintal,
eu acompanhada
de duendes e de fadas
e tu assim iluminada, especial

irradiando a luz do amor
e eu aqui pedindo...
Oh! Lua amada, por favor

sente o que meu coração
não está sentindo
e doa a ele um pouco só,
desse bater de amante amado,

perfumada de jasmim
enviei a ti o meu recado...
faz de mim uma nova apaixonada,
silente me transforma em lua azulada!