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quarta-feira, 21 de julho de 2010

Feiticeira

Quem és, alma ditosa que me enleias
nessas redes de amor tão bem tecidas?
Que retorces paixão, tramas urdidas
nesse coração, pasto de mil teias?

És o vento que silva entre as ameias,
és suspiros de vidas já vividas?
És o pranto da terra, o sal das vidas,
és o néctar correndo em minhas veias?

És de fogo plantada, és paixão,
és a fonte de luz, livro já lido,
és o porto seguro, compaixão...

És um sonho sonhado não vivido,
és senhora do pó, és coração,
feiticeira do amor sempre pedido.

terça-feira, 4 de maio de 2010

MÃE

Fios de seda de prata lampejados

moldando essa doçura que enternece

um sorriso que afaga numa prece

dois sóis ao firmamento sonegados.



O colo de ternuras drapejado

nas malhas que o seu seio sempre tece

amor sem condição é alicerce

de um destino de sonho cinzelado.



Como um porto de abrigo desejado

esperança de vida já perdida

acolhe no regaço abençoado



de pronto p'ra sarar essa ferida

pois a Mãe cujo nome é adorado

já foi mas acompanha a nossa vida.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Ano Novo

O tempo se reinicia.

No dealbar da nova era...

No tempo que dobra a esquina...

Não receies a mudança

E, tu também,

Recomeça.

Não tenhas pejo

Ou qualquer inibição...

Segue o teu coração

E enfrenta os escolhos do futuro

Com a lucidez própria

De quem sabe que o caminho

É controlado pelo sonho.

E, passo a passo,

Sem pressas ou aflições,

Entrega-te por inteiro

E enfrenta de peito aberto

A loucura do destino:

Não aceites menos do que o que mereces

Nem descanses sem o conseguires

Pois o que mereces

É a essência do ser

Na pureza do tempo sem fim.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Despertar

Quando as nuvens se afastam do semblante

teu olhar ilumina a escuridão

vencendo esse fantasma: solidão!

e a vida transformando nesse instante.



Nos lábios um sorriso estonteante

reflectindo o fervor do coração

aquece, na ausência de paixão,

como gota de orvalho cintilante.



Desperta, deste modo, esse ser

para um tempo de amor e harmonia

caminhando, na luz, se assim quiser



Buscando a plenitude na baía

da emoção, da saudade e do prazer

vivendo passo a passo, dia a dia.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Dor

Rasga-se a esperança no ventre do cosmos
inundando de luz o silêncio da mente,
aprisiona-se o corpo que vem da semente
nesta Terra plantada por entes remotos.

No vórtice do tempo que dobra as estrelas
nas colinas do medo em que alastra o torpor
neste ocaso de vida, num leito de dor,
estrangula-se a voz, perecida nas trevas.

E num brado de cor, num abismo de fé,
vai sulcando o vazio em busca do começo,
do sentido da vida, da razão de ser...

E na mesma frequência que tudo prevê
adornamos os astros com qualquer boneco
e calamos angústias do nosso viver.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

VIESTE BEIJAR MEU CORAÇÃO

Sinto uma brisa,
uma leve aragem,
soprando de longe
e trazendo consigo
o pólen do amor
em forma de beijo
que de pronto atinge
meu coração.
Este ósculo sentido
na profundeza do ser,
sopro de carinho,
de um amor
que me faz vibrar,
é signo doce
de paixão sentida
que trazes com o vento.

Mulher madura,
ser do mundo
que a mim te ofereces...
alma doce e pura,
apaixonada,
que em versos escritos
com a pena do amor
vens escrever
a poesia da vida.

Sim, entra em mim...
inunda minh'alma
de luz e amor...
Faz com que o tempo
fique para sempre
parado, suspenso,
cheio de temor
que a nossa paixão
omita a razão.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Alma de Mulher

Maior que o tempo presente,

com ruas de amor sulcadas,

braços que enlaçam sementes

um dia do ventre brotadas,

cintila na orla do vento...

nas ondas do verbo que quer,

é água e é fogo e é vida

é a alma da mulher.



Gerada no ventre da terra

com aura de amor e de luz,

capaz de virar uma fera

ou tão frágil que seduz...

abarca em seu coração

um universo de querer,

a vida transporta em seu seio...

na sua alma, mulher.



Vestida de ondas de luz,

coberta com rendas de estrelas,

desbrava ribeiros de sons

em veredas paralelas,

e busca versos de emoções

entre poemas de viver...

Eis o cerne, a essência,

duma alma de mulher.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Jardim das Palavras

Havia canteiros de versos.

À sombra de uma árvore de sentidos

as palavras são plantadas no

coração da Terra, alimentadas por

regatos de emoções, desabrochando

em frases originadas pelo verbo

sideral, em que o som do infinito

emerge das ondas do tempo

para transmutar a vida em poesia.

E as veredas de poemas atravessam

as vicissitudes da existência, florindo

como pétalas de paixão que frutificam

em novelos de amor que adubam

as palavras.

Que se juntam em versos

que colhemos nos canteiros:

num, um só verso rodeado de árvores…

noutro, vários versos em harmonia…

naquele, os espinhos escondem os versos…

mais além, os versos disputam a relva…

e o poema se constrói num contínuo

incessante, qual regato borbulhante que,

quando desagua,

apenas descobre que tornou à nascente.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

FERNANDO PESSOA

Senhor das lusas letras da nação,
que deslumbra os instantes inefáveis,
que pressente os aléns pouco fiáveis
de um destino de sonho e frustração.

Da vida nos cantou a sensação:
da linda natureza, os amáveis
poemas de Caeiro; inexpugnáveis
na existência, de Campos, da razão.

Combinando, com Reis, epicurismo
– no gozo do prazer – com estoicismo,
fala do olhar esfíngico e fatal

do rosto, que virado ao ocidente,
que hoje é nevoeiro e que pressente
que’inda falta cumprir-se: Portugal.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Feiticeira

Quem és, alma ditosa que me enleias
nessas redes de amor tão bem tecidas?
Que retorces paixão, tramas urdidas
nesse coração, pasto de mil teias?


És o vento que silva entre as ameias,
és suspiros de vidas já vividas?
És o pranto da terra, o sal das vidas,
és o néctar correndo em minhas veias?

És de fogo plantada, és paixão,
és a fonte de luz, livro já lido,
és o porto seguro, compaixão...

És um sonho sonhado não vivido,
és senhora do pó, és coração,
feiticeira do amor sempre pedido.

domingo, 27 de janeiro de 2008

PROCURA

Minha mente voga em ondas
incessantes de incertezas
sobre os prados infinitos de verde
já alaranjado pelo Outono
de um viver nem sempre sereno mas sempre pleno,
buscando, no caminho inexistente
que aguarda ser trilhado,
a imagem que demonstre ser o rumo,
nunca traçado mas constantemente alterado,
reflexo sábio das emoções
que conduzem ao equilíbrio do ser.

Minha mente paira,
subitamente amordaçada pela
necessidade do coração se exprimir,
tomando sempre o leme,
e mesmo ziguezagueando entre
os escolhos dos sentidos,
em avanços e recuos nunca explicados,
procurando sempre, no limbo
entre o caminho e o não-caminho,
entre o sentir e o pensar,
a imagem que justifica o existir
como um objectivo de não-existências,
reflectindo, como escora permanente
da loucura e da lucidez...
a verdadeiro eu.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Talvez...

Talvez o instante não seja este...
Talvez não seja o modo certo...
Talvez não consiga encontrar as palavras...
Talvez persista na teimosia de existir...
Talvez pense...
E talvez encontre nas expressões
amarguradas que envolvem o sofrimento...
Ou reviva nos olhares mortiços
que fazem ouvir o grito das almas...
Ou até abrace as nuvens de silêncio
que toldam o sentir com névoa piedosa...
Talvez veja...
E seja a escora, o pêndulo, a bússola...
o caminho seguido outrora que de novo se abre...
as vagas trazendo as novas em cada maré...
os sonhos nunca sonhados ousados sonhar...
o porto seguro que aguarda para te amparar...
Talvez...

terça-feira, 18 de setembro de 2007

MUSAS

Onde estais oh Tágides que não ouvis

os apelos e chamamentos meus?

Será que por mui maltratarem os vis

vossos poetas que almejam os céus?



Vós, que inspiração destes a Camões,

Bocage, Florbela, mesmo Pessoa,

mirai que canto as minhas paixões

e, como eles, também sou de Lisboa.



Se ao meu clamor vos dignais atender

vereis o estofo que tenho a escrever…

Como lusas musas vinde ajudar



que cada palavra tenha emoção…

que todo o poema tenha paixão…

capaz de fazer as letras chorar.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Passagem

Estava perdido.
Flutuava algures no limbo,
entre a vida e a não-vida.
Não via e sentia
que no aconchego em que me via
amparo não me faltava.
Mas sentia e temia e sabia
que perderia a certeza que vivia,
no momento em que o silêncio
que me envolvia
se rompesse rasgado
pelo gume afiado do tempo...
e sofria e ansiava.
E na espera dolente
do instante supremo em que tudo
terminaria,
meu ser quase ensandecia
recordando o fim com que
principiaria
uma nova romaria...
uma vida que se inicia.
Surpresa!
Eu não morria... eu nascia!

Página sem Alma


Meus olhos pousam sobre a imaculada
alvura da folha que aguarda
pelo momento em que,
subjugado, vencido num jogo em que a sedução
de uma página sem alma
se alia à insaciabilidade da escrita,
a conspurco com caracteres e símbolos,
sílabas e palavras, frases e orações,
num afã imperioso de tradução do sentir.
A inevitabilidade do verso que irrompe do vazio,
que existe para além da palavra que vive
maculando a brancura, despontando do nada
em que se atola o poema,
imita o compasso, o ritmo do ser que
habita no limbo da existência,
ganhando sentido,
extravasando as alvas raias que o cerceiam,
e mostrando o espaço cheio de buracos de silêncio.
É o silêncio das palavras que escutam
a luz da imponderabilidade e no ocaso
da imprecisão do verbo encontram a razão
da existência.
Não existem imagens balbuciando nas veredas
orladas de palavras geradas para suprir
com emoções as áridas colinas
da imprecisão nublada da minha mente
que possam traduzir a sinfonia
biológica em que se atolam os sentidos,
neste labirinto
em que vogais e consoantes se digladiam
numa dança obscura
pela autenticidade do sonho.
E na caligráfica constelação que inunda
os seus interstícios porosos,
a outrora alva folha
vibra agora com o movimento das sensações
do poeta.